Dos grãos de cacau ao chocolate

15 12 2009

O chocolate é um dos produtos que mais causam êxtase no mercado de alimentos. Muitos são viciados no seu delicioso sabor, alguns defendem seus benefícios para a saúde e há aqueles que até falam sobre o seu poder afrodisíaco. Tudo bem, chocolate é, na maioria das vezes, a sobremesa preferida da maioria das pessoas, e não precisa ser único e exclusivo o seu formato em barra, o chocolate vai bem em qualquer prato, como bolos, tortas, sorvetes e até mesmo em pratos salgados, como é o caso do pernil de cordeiro ao molho de chocolate.

Mas será que o chocolate sempre foi essa sobremesa delicíosa que conhecemos? Qual a sua história? Qual a sua origem? Como os grãos de cacau se tormam em um produto tão cobiçado? Read the rest of this entry »





Taxa de Câmbio e Regimes Cambiais

10 12 2009

A Taxa de câmbio é a definição do preço de uma unidade de moeda estrangeira expressa relação a moeda nacional. No Brasil, por exemplo, a taxa de cambio de real em dólar define o preço em reais para 1 dólar americano.

Hoje o valor da taxa de câmbio em relação a moeda norte-americana é de R$1,76 / US$1,00. Isso significa que para comprar 1 unidade da moeda estrangeira é necessária a quantia de R$1,76.

Uma elevação da taxa citada acima, por exemplo, de R$1,76 para R$1,90, implica em uma desvalorização nominal da taxa de câmbio. Em outras palavras, esse cenário indica que a moeda nacional agora vale menos em relação a moeda estrangeira. Por outro lado, se houvesse uma queda da taxa, isso implicaria em uma valorização do câmbio, ou em outras palavras, que a moeda nacional vale mais do que antes, e que é possível comprar uma unidade de moeda estrangeira com uma quantidade menor de moeda nacional.

A taxa de câmbio tem papel fundamental nas relações de comércio exteriores, pois impacta diretamente principalmente os importadores e exportadores de bens e serviços. Pode-se exemplificar esse cenário:

Uma empresa nacional exportou para os Estados Unidos mercadorias referentes a quantia de US$20.o00,00 à vista. Essa empresa necessita ir até o Banco Central (que na realidade ocorre através do mercado financeiro mesmo) e trocar seus dólares por reais à taxa de câmbio do dia. Supondo que a taxa de câmbio fosse de R$1,20, o exportador receberia a quantia de R$24.000,00. Porém, se a taxa de câmbio sofresse uma elevação (desvalorização nominal) atingindo o valor de R$1,30, o exportador receberia R$26.000,00 e não mais R$24.000,00. Na realidade, essa desvalorização tornou mais barata as mercadorias em moeda estrangeira e mais caras em moeda nacional, resultando no aumento da  receita do exportador. Porém, se analisássemos essa mesma alteração da taxa cambial para um importador, o cenário seria bastante desfavorável. Uma empresa que importasse uma mercadoria, com a desvalorização nominal, pagaria mais por ela, o que poderia afetar diretamente o mercado local.

De forma geral, percebe-se que a desvalorização cambial tende a estimular as exportações e diminuir as importações, pois encarece as mercadorias importadas e barateia, para o mercado exterior, os bens/serviços que o país exporta. Mas tudo é bastante relativo, na empresa em que trabalho, por exemplo, vendemos serviços para outras empresas no exterior, e quando há uma forte valorização cambial (como ocorreu do começo do ano até hoje), espera-se que nossa receita aumente, porém os nossos serviços passam a ficar mais caro, e consequentemente perdemos muitas oportunidades para países que oferecem preços melhores (principalmente a Índia).

Foi abordado até o momento apenas a taxa nominal de câmbio. Mas os economistas, e também o mercado empresarial, consideram taxa de câmbio em seu conceito real. A taxa de câmbio real envolve em seu cálculo a influência da inflação no mercado nacional e no mercado estrangeiro (no nosso caso a inflação do Estados Unidos, pois estamos usando nos exemplos a moeda dólar).

Para calcular a taxa de câmbio real utiliza-se a seguinte fórmula:

  • E = e. P*/P, onde:
  • E= Taxa de câmbio real
  • e= Taxa de câmbio nominal
  • p*= índice de preços do país estrangeiro
  • p= índice de preço no mercado nacional

Ao utilizar o conceito de taxa cambial real, leva-se em consideração a inflação interna e também a inflação externa. É fácil perceber que a inflação interna tende a encarecer os produtos de exportação (e tornar mais barato os produtos importação). Já a inflação externa, tem efeito contrário, encarecendo os produtos de importação e estimulando as nossas exportações. Com base nessas informações, fica fácil analisa que somente a taxa cambial nominal não reflete a realida acerca do comportamento real da taxa de câmbio, mas também devem ser consideradas tanto a inflação  internas  com também a externas.

No livro “A Nova Contabilidade Social”, os autores citam um simples exemplo para essa situação. Pede-se para que suponhamos que, no período 1, a taxa de câmbio tenha sido de $ 1,00, e que no período 2, a mesma tenha mudado para $ 1,10 (desvalorização nominal da moeda nacional). Pede-se também para supor que no período 1, a inflação interna tenha sido de 20%, enquanto a externa tenha sido de 5%. Substituindo esses valores na fórmula, é possível notar que apesar da desvalorização nominal de 9,1% (o que implicou em uma valorização de 10% do dólar), em termos reais obteve-se uma valorização da moeda nacional de aproximadamente 3,9%, pois nem mesmos os 10% do crescimento nominal do câmbio e os 5% da inflação externa forma suficientes para compensar a inflação de 20% do mercado interno.

Porém, é importante ressaltar que o conceito de taxa de cambio real apresenta determinados desafios, pois o produto que está sendo comercializado pode ter sofrido inflação totalmente diferente em relação a inflação utilizada na fórmula (que na verdade é um cálculo médio que inclui uma série de bens e serviços).

Foi definido, até o momento, o conceito de taxa de câmbio nominal e real, porém não foi abordado os fatores que influenciam o seu valor. Basicamente, há três regimes cambiais: flutuante, fixo e misto.

O regime cambial flutuante é aquele que permite que a taxa cambial seja definida livremente para garantir o equilíbrio do mercado, ou seja, o equilíbrio entre a moeda nacional e a moeda estrangeira. No regime flutuante, a oferta é determinada pelos exportadores e a demanda pelos importadores. Nesse sistema não há qualquer intervenção do Banco Central.

Já o regime cambial fixo é determinado pelo Banco Central. O mecanismo de intervenção do Banco Central se dá a partir da compra e venda da moeda estrangeira. Nesse caso, há a necessidade de o Banco Central dispor de reservas suficientes para ser o grande comprador e vendedor do mercado. Caso o Banco Central não possua reservas suficentes ou julgar que não é conveniente utilizá-las, resta-lhe ainda a possibilidade de desvalorizar o câmbio, ou seja, tornar a moeda estrangeira mais cara para desestimular sua demanda.

O regime misto é atualmente o regime cambial utilizado na maioria dos países. Nesse sistema, a taxa de cambio pode variar livremente (regime flutuante) dentro de limites estipulados. Caso a taxa alcance esses limites, o Banco Central pode agir através da compra e venda da moeda estrangeira, para proteger tanto os exportadores, como também os importadores.

É também de grande importância citar a relação da taxa de câmbio em relação aos juros. Basicamente, quando a taxa de juros interna se eleva, há um grande incentivo para a entrada de moeda estrangeira, pois a taxa de juros interna se tornou mais atrativa do que a externa. Consequentemente, o contrário também é inevitável. Quando a taxa de juro do mercado externo for mais atraente, poderá ocorrer saída de capital do mercado interno para o mercado externo.

Recentemente, o governo brasileiro resolveu, através de uma outra maneira, intervir para conter a forte valorização da taxa cambial do país através da taxação do capital estrangeiro em investimentos de curto prazo no Brasil através do IOF . Segundo o Ministro Guido Mantega, havia um “excesso” de dólares no país, sobretudo na bolsa de valores. Segue um link para uma reportagem da BBC Brasil sobre o assunto: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/11/091118_iof_vale_topico.shtml

Referências:

http://www.bcb.gov.br/?TXCAMBIO

A Nova Contabilidade Social – Leda Paulani e Marcio Bobik Braga – 3º Edição – Editora Saraiva





Gastronomia Francesa – Ratatouille, Boeuf Bourguignon e Crème brûlée

7 12 2009

Depois de uma temporada de 2 semanas nos Estados Unidos me entupindo de hambúrger e bata frita (é claro que eu adoro, mas quase todo o dia é complicado) resolvi fazer um jantar em casa no último sábado. Como tinha visto o filme “Julie and Julia”, fiquei com muita vontade de fazer o prato “Boeuf Bourguignon”, o qual aparece com certa importância na história. Então organizei o jantar com os seguintes pratos: Salada Ratatouille, Boeuf Bourguignon, Sorbet de Limão e Crème Brûlée. Abaixo vou compartilhar as receitas e algumas experiências em relação as  preparações.

Salada Ratatouille

SA salada Ratatouille é uma salada típica francesa (com origem na cidade de Nice) com aspecto bem rústico. O tomate, a abobrinha e a berinjela são os ingredientes principais, mas o aroma proveninte do alho e da cebola também é imprescindível. É importante ressaltar que apresentação desse tipo de salada é essêncial para exaltar a sua beleza de cores, e evitar que o prato pareça um “misturado” de legumes.

Abaixo eu compartilho a receita utilizada para preparação do prato, inspirada na apostila de Técnicas de Gastronomia do SENAC:

 

 

 Ingredientes:

  • 70ml de óleo de milho
  • 30 ml de azeite extravirgem
  • 2 unidades de abobrinha italiana (cortada em fatias grossas)
  • 5 dentes de alhos em brunoise
  • 1 colher de chá açúcar
  • 1 pimentão vermelho sem semente (cortado em fatias)
  • 1 pimentão amarelo sem semente (cortado em fatias)
  • 1 cebola média cortada em cubos médios
  • 1 berinjela cortada em cubos médios
  • 1/2 kg de tomate débora concassé (sem pele e sem semente) cortados em gomos
  • 1 talo médio de alecrim (1 colher de sopa se for utilizada a erva seca)
  • 1 pequeno maço de tomilho (1 colher de sopa se for utilizada a erva seca)
  • 3 folhas de manjericão
  • Sal Q.B
  • Pimenta do reino Q.B ou Pimenta calabresa Q.B

Modo de preparo:

  • Aqueça em uma frigideira 35 ml do óleo de milho e junte os tomates, o açúcar, o alecrim, o tomilho, o manjericão, sal e pimenta. Refogue em fogo baixo, mexendo pouco, até que o tomate fique macio. Cuidado para não deixar muito tempo, pois o tomate pode desmanchar.
  • Em uma outra frigideira, aqueça o restante do óleo e frite a cebola até ficar macia. Junte o pimentão vermelho, o pimentão amarelo e a abobrinha. Refogue por 5 minutos. Adicione a berinjela e deixe refogar por mais 10 minutos (ou até julgar necessário para que os alimentos estejam cozidos e macios, porém crocantes, com textura “al dente”).
  • Junte com os tomates, acrescente azeite extravirgem e capriche na apresentação do prato. A salada pode ser servida quente ou fria, dependendo da preferência de cada um.

Boeuf Bourguignon

Esse é um prato francês muito famoso e consiste em uma carne braseada em vinho tinto (preferencialmente Bourgogne), aromatizada com alho, cebola, cenoura, bouquet garni e servida com cogumelos. A receita original do prato foi escrita por Auguste Escoffier, porém a mesma vem sofrendo reformulações durante o tempo. Mas claro que a sua “essência gastronômica é preservada”. É importante lembrar que esse é um prato simples de ser preparado, porém pode exigir horas para ficar pronto devido ao seu método de cocção e também ao seu tempo de marinada. Vamos lá, abaixo a receita que eu utilizei durante a preparação:

 

Ingredientes:

  • 1 kg de filé mignon ou alcatra (cortar em cubos de aproximadamente 50grs)
  • 1 garrafa de vinho tinto (preferencialmente Bourgogne)
  • 1 litro de caldo de carne
  • 2 colheres de sopa de extrato de tomate
  • 03 colheres de óleo de milho
  • 03 colheres de farinha de trigo
  • 1 cebola em brunoise
  • 2 dentes de alho
  • 1 cenoura cortada em rodelas
  • 02 talos de salsão picado
  • 02 bouquet garni
  • Sal Q.B
  • Pimenta Q.B

Modo de preparo:

  • Faça uma marinada com a cebola, o alho, a cenoura, o salsão, o sal, pimenta, 1 bouquet garni e 350 ml do vinho tinto. Deixe a carne nessa marinada por 24 horas.
  • Retire a carne da marinada e reserve ambos. Adicione a carne em uma panela grande com o óleo, leve ao fogo e deixe a carne dourar. Polvilhe com a farinha de trigo e deixe cozinhar por mais 5 minutos.
  • Acrescente o líquido da marinada, o extrato de tomate, o restante do vinho tinto, o outro bouquet garni e deixe cozinhar por mais 10 minutos. Adicione o caldo de carne e deixe cozinhar em  fogo baixo, até que a carne esteja bem cozida e o molho consistente. (aprox. 1 hora).
  • Separe os pedaços de carne do molho. Passe o molho por um chinois (coador). Adicione a carne novamente ao molho, acrescente cogumelos (paris) fatiados em lâminas (se achar interessante). Acerte o sal e a pimenta.

Guarnição: A minha preparação foi servida com uma massa no formato talharim que eu preparei utilizado semolina trigo durum, conforme o post sobre massas.

Crème Brûlée

Minha sobremesa favorita (depois do gelato). Crème Brûlée é uma preparação tipicamente francesa que consiste de um creme com aroma de baunilha com cobertura caramelizada. O crème brûlée pode ser servido totalmente frio ou com o creme frio e o açucar caramelizado ainda quente. Eu pessoalmente prefiro a segunda opção, acho a harmonia perfeita.

É difícil citar com exatidão o surgimento desse prato, porém as referências mais antigas para o crème brûlée pode ser encontrado no livro de receita (1691) de François Massialot. O cremè brulée pode sofrer modificações, sendo preparado com sabor de limão, chocolate branco, entre outros sabores. Porém, o tradicional de baunilha ainda é o preferido da maiorida das pessoas. A versão britânica é chamada de Trinity Cream ou Cambridge burnt Cream, a versão catalã é denominada de crema catalana.

Dica: Para uma melhor apresentação e eficiência na hora de servir, eu sugiro que o crème brûlée seja preparado como porções individuais em pequenos ramequins.

Ingredientes:

  • 2 xícaras de creme de leite (preferencialmente creme de leite fresco)
  • 1/2 xícara de leite
  • 1 xícara de açúcar (+ 1/4 de xícara de açúcar para caramelizar a cobertura)
  • 2 favas de baunilha -  cortar ao meio e raspar as sementes com uma faca fina. Reversar as favas e as sementes (usar essência se não tiver).
  • 6 ovos (somente a gema)

Modo de preparo:

  • Em uma panela adicione o creme de leite, o leite, o açúcar, as favas de baunilha e a semente da bunilha. Leve ao fogo médio até ponto de fervura. Remova as favas.
  • Em um bowl, misture vigorosamente metade da mistura acima com as gemas. Adicione o restanten do creme e incorpore bem.
  • Separe a mistura em ramequins individuais e leve ao forno (pré-aquecido em 120º C) por aproximadamente 45 minutos (até que a mistura esteja com uma cor levemente dourada). Retire do forno e deixe esfriar totalmente.
  • Espalhe o açúcar por cima dos creme e queime com um maçarico para caramelizar o açúcar e criar a coberturar charmosa do crème brûlée.




Bolsa de Valores dos Piratas Somalis

2 12 2009

Desde o ano passado estão acontecendo diversos ataques de piaratas somalis na região do Oceano Índico (mais estrategicamente no Golfo de Áden, a porta de entrada para o Canal de Suez, que faz a ligação entre Europa e a Ásia). Os piratas sequestram navios (de todos os portes) e pedem resgates milionários para libertarem os tripulantes e as embarcações. Somente para exemplificar a audácia dos piratas somalis, pode-se citar o sequestro do mega-petroleiro saudita “Siros Star”, o qual foi solicitado incialmente um resgate de 25 milhões de dólares.

Esses ataques piratas têm impacto direto na economia de determinadas empresas transportadoras (marítimas), que já pensam em mudar a rota de suas embarcações para contornarem a África (através do Canal da Boa Esperança), e não utilizar mais o Canal de Suez. Essa modificação de rota acarreta em mais custos para as empresas, pois o caminho a ser percorrido é maior. O tempo de viagem também tende a ser mais longo.

Mas o mais impressionante foi a notícia que eu encontrei no site da Reuters. Agora os piratas somalis criaram um modelo de bolsa de valores para os seus ‘negócios’, que aparentam ser bem rentáveis.  Um ‘investidor’ confirmou na reportagem que  consegui 75 mil dólares em apenas 38 dias desde que começou nesse ramo. Vale a pena ler a notícia: http://www.reuters.com/article/wtUSInvestingNews/idUSTRE5B01Z920091201?sp=true

Mas vale lembrar que há um grande esforço dos países da Europa e Ásia para combater a pirataria na região do Golfo de Áden. Recentemente houve diversos conflitos entre os piratas e fragatas italianas e portuguesas, por exemplo. Inclusive, Portugal chefiará a missão da Otan de combate à pirataria ana região da Somália até o fim de janeiro de 2010.