A Taxa de câmbio é a definição do preço de uma unidade de moeda estrangeira expressa relação a moeda nacional. No Brasil, por exemplo, a taxa de cambio de real em dólar define o preço em reais para 1 dólar americano.
Hoje o valor da taxa de câmbio em relação a moeda norte-americana é de R$1,76 / US$1,00. Isso significa que para comprar 1 unidade da moeda estrangeira é necessária a quantia de R$1,76.
Uma elevação da taxa citada acima, por exemplo, de R$1,76 para R$1,90, implica em uma desvalorização nominal da taxa de câmbio. Em outras palavras, esse cenário indica que a moeda nacional agora vale menos em relação a moeda estrangeira. Por outro lado, se houvesse uma queda da taxa, isso implicaria em uma valorização do câmbio, ou em outras palavras, que a moeda nacional vale mais do que antes, e que é possível comprar uma unidade de moeda estrangeira com uma quantidade menor de moeda nacional.
A taxa de câmbio tem papel fundamental nas relações de comércio exteriores, pois impacta diretamente principalmente os importadores e exportadores de bens e serviços. Pode-se exemplificar esse cenário:
Uma empresa nacional exportou para os Estados Unidos mercadorias referentes a quantia de US$20.o00,00 à vista. Essa empresa necessita ir até o Banco Central (que na realidade ocorre através do mercado financeiro mesmo) e trocar seus dólares por reais à taxa de câmbio do dia. Supondo que a taxa de câmbio fosse de R$1,20, o exportador receberia a quantia de R$24.000,00. Porém, se a taxa de câmbio sofresse uma elevação (desvalorização nominal) atingindo o valor de R$1,30, o exportador receberia R$26.000,00 e não mais R$24.000,00. Na realidade, essa desvalorização tornou mais barata as mercadorias em moeda estrangeira e mais caras em moeda nacional, resultando no aumento da receita do exportador. Porém, se analisássemos essa mesma alteração da taxa cambial para um importador, o cenário seria bastante desfavorável. Uma empresa que importasse uma mercadoria, com a desvalorização nominal, pagaria mais por ela, o que poderia afetar diretamente o mercado local.
De forma geral, percebe-se que a desvalorização cambial tende a estimular as exportações e diminuir as importações, pois encarece as mercadorias importadas e barateia, para o mercado exterior, os bens/serviços que o país exporta. Mas tudo é bastante relativo, na empresa em que trabalho, por exemplo, vendemos serviços para outras empresas no exterior, e quando há uma forte valorização cambial (como ocorreu do começo do ano até hoje), espera-se que nossa receita aumente, porém os nossos serviços passam a ficar mais caro, e consequentemente perdemos muitas oportunidades para países que oferecem preços melhores (principalmente a Índia).
Foi abordado até o momento apenas a taxa nominal de câmbio. Mas os economistas, e também o mercado empresarial, consideram taxa de câmbio em seu conceito real. A taxa de câmbio real envolve em seu cálculo a influência da inflação no mercado nacional e no mercado estrangeiro (no nosso caso a inflação do Estados Unidos, pois estamos usando nos exemplos a moeda dólar).
Para calcular a taxa de câmbio real utiliza-se a seguinte fórmula:
- E = e. P*/P, onde:
- E= Taxa de câmbio real
- e= Taxa de câmbio nominal
- p*= índice de preços do país estrangeiro
- p= índice de preço no mercado nacional
Ao utilizar o conceito de taxa cambial real, leva-se em consideração a inflação interna e também a inflação externa. É fácil perceber que a inflação interna tende a encarecer os produtos de exportação (e tornar mais barato os produtos importação). Já a inflação externa, tem efeito contrário, encarecendo os produtos de importação e estimulando as nossas exportações. Com base nessas informações, fica fácil analisa que somente a taxa cambial nominal não reflete a realida acerca do comportamento real da taxa de câmbio, mas também devem ser consideradas tanto a inflação internas com também a externas.
No livro “A Nova Contabilidade Social”, os autores citam um simples exemplo para essa situação. Pede-se para que suponhamos que, no período 1, a taxa de câmbio tenha sido de $ 1,00, e que no período 2, a mesma tenha mudado para $ 1,10 (desvalorização nominal da moeda nacional). Pede-se também para supor que no período 1, a inflação interna tenha sido de 20%, enquanto a externa tenha sido de 5%. Substituindo esses valores na fórmula, é possível notar que apesar da desvalorização nominal de 9,1% (o que implicou em uma valorização de 10% do dólar), em termos reais obteve-se uma valorização da moeda nacional de aproximadamente 3,9%, pois nem mesmos os 10% do crescimento nominal do câmbio e os 5% da inflação externa forma suficientes para compensar a inflação de 20% do mercado interno.
Porém, é importante ressaltar que o conceito de taxa de cambio real apresenta determinados desafios, pois o produto que está sendo comercializado pode ter sofrido inflação totalmente diferente em relação a inflação utilizada na fórmula (que na verdade é um cálculo médio que inclui uma série de bens e serviços).
Foi definido, até o momento, o conceito de taxa de câmbio nominal e real, porém não foi abordado os fatores que influenciam o seu valor. Basicamente, há três regimes cambiais: flutuante, fixo e misto.
O regime cambial flutuante é aquele que permite que a taxa cambial seja definida livremente para garantir o equilíbrio do mercado, ou seja, o equilíbrio entre a moeda nacional e a moeda estrangeira. No regime flutuante, a oferta é determinada pelos exportadores e a demanda pelos importadores. Nesse sistema não há qualquer intervenção do Banco Central.
Já o regime cambial fixo é determinado pelo Banco Central. O mecanismo de intervenção do Banco Central se dá a partir da compra e venda da moeda estrangeira. Nesse caso, há a necessidade de o Banco Central dispor de reservas suficientes para ser o grande comprador e vendedor do mercado. Caso o Banco Central não possua reservas suficentes ou julgar que não é conveniente utilizá-las, resta-lhe ainda a possibilidade de desvalorizar o câmbio, ou seja, tornar a moeda estrangeira mais cara para desestimular sua demanda.
O regime misto é atualmente o regime cambial utilizado na maioria dos países. Nesse sistema, a taxa de cambio pode variar livremente (regime flutuante) dentro de limites estipulados. Caso a taxa alcance esses limites, o Banco Central pode agir através da compra e venda da moeda estrangeira, para proteger tanto os exportadores, como também os importadores.
É também de grande importância citar a relação da taxa de câmbio em relação aos juros. Basicamente, quando a taxa de juros interna se eleva, há um grande incentivo para a entrada de moeda estrangeira, pois a taxa de juros interna se tornou mais atrativa do que a externa. Consequentemente, o contrário também é inevitável. Quando a taxa de juro do mercado externo for mais atraente, poderá ocorrer saída de capital do mercado interno para o mercado externo.
Recentemente, o governo brasileiro resolveu, através de uma outra maneira, intervir para conter a forte valorização da taxa cambial do país através da taxação do capital estrangeiro em investimentos de curto prazo no Brasil através do IOF . Segundo o Ministro Guido Mantega, havia um “excesso” de dólares no país, sobretudo na bolsa de valores. Segue um link para uma reportagem da BBC Brasil sobre o assunto: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/11/091118_iof_vale_topico.shtml
Referências:
http://www.bcb.gov.br/?TXCAMBIO
A Nova Contabilidade Social – Leda Paulani e Marcio Bobik Braga – 3º Edição – Editora Saraiva