Afinal, o que é moeda? Esse elemento econômico está tão presente nas nossas vidas que dificilmente paramos para pensar sobre a sua história e sobre a sua definição. Porém, é ela a responsável por vários aspectos de funcionamento de uma economia, servindo como a intermediação na troca entre mecadorias na sociedade atual. Mas nem sempre foi assim, antigamente havia a chamada economia de escambo, ou seja, uma economia baseada na troca pura, onde não havia moeda, e os agentes tinha que negociar trocas de produtos diretamente entre eles. Porém, a medida que crescia o número de agentes nessa economia, mais complexo tornava-se o modelo de troca.
Um exemplo pode deixar mais claro o cenário de uma economia de escambo: Podemos pensar em uma economia com os agentes A, B, que produzem respectivamente os produtos a e b. Se A necessita do produto b, ele poderá negociar diretamente com B a troca do produto a por b. Porém, o agente B precisa demonstrar interesse pelo produto a, pois caso contrário, a troca pode não ser efetivada. Complicando um pouco mais ainda, pode-se adicionar o agente C responsável por produzir o produto c. Agora, a economia é composta pelos agentes A, B, e C, que produzem a, b e c. Caso o agente A queira trocar o seu produto por c, mas C só necessite do produto b, então A deve negociar com B a troca do produto a por b, para posteriormente efetivar a troca com C.
É notório, com base no exemplo acima, que a ausência da moeda pode ser um obstáculo para o desenvolvimento da economia, além de tornar a vida cotidiana das pessoas mais difícieis. No cenário anteriormente citado, foi tomado como base apenas 3 agentes e foi fácil verificar as dificuldades, e pensando no mundo contemporâneo, com milhões de agentes, uma economia baseada em escâmbo tornar-se-ia impossível de ser praticada. Mas enfim, qual a origem da moeda? É complicado especificar a data de surgimento da moeda, mas sabe-se que ela foi a potencializadora do processo de divisão do trabalho, e consequentemente da difusão do processo de troca em uma economia. Assim, a presença da moeda permite desassociar as trocas diretas. Por exemplo, A pode trocar o seu produto por moeda, e depois trocar a moeda por um produto de seu interesse. Assim a moeda assume uma de suas principais características: servir como meio de troca.
Entretanto, além de servir como meio de troca, a moeda deve apresentar duas adicionais propriedades: unidade de conta e reserva de valor. Por unidade de conta, entende-se a moeda como medida de valor, ou seja, a forma de expressão de valor de todas as mercadorias. Um exemplo pode ajudar a enteder: pense novamente na economia ausente de moeda e composta pelos agentes A, B, C. Para que hajam trocas puras, torna-se necessário especificar a quantidade necessária para troca entre TODAS as mercadorias. Caso A queira trocar seu produto por b, ele precisa saber qual a quantidade de a necessária para fazer frente ao produto b. Agora, imagine tal relação em uma economia composta de milhões de mercadorias.
A moeda tem como objetivo, em sua função de unidade de conta, exatamente eliminar tal tipo de associação entre os valores das mercadorias, assumindo assim tal papel. Com a presença da moeda, o valor da mercadoria de A não precisa ser expresso em mercadorias de B, C, D, Z e Y, mas basta apenas apresentar seu valor em unidade de moeda. O ouro desempenho o papel de moeda em diversos momentos da história, sendo justamente ele que mudava de mãos quando haviam trocas de mercadorias (função de meio de troca), e para que isso ocorresse era necessário que todas as mercadorias fossem mensuradas e tivessem seu valor expresso em certa quatidade de ouro. Resumindo, a moeda com sua função de unidade de conta permite estabelecer em todos o universo os valores das mercadoria entre sí, constituindo a estrutura relativa de preços. Ao invés do agente A expressar o valor de seu produto em relação as outras mercadorias, ele precisa apenas expressar o seu valor em ouro, pois os outros agente assim também farão.
A última propriedade a ser abordada é a reserva de valor. A moeda permite alocar no tempo as transações economicas de um agente, trazendo assim maior conveniência para os agentes. O agente A, pode vender todas as suas mercadorias e reservar as moedas recolhidas para uso futuro. Caso o agente A produzisse algum produto perecível, esse seria impossível de servir como reserva de valor devido a sua data de validade. Entretanto, há outros bens, como os imóveis, que também podem servir como reserva de valor, mas são menos líquidos que a moeda.
Até o momento defininos o que é a moeda e quais são suas principais propriedades, bastando apenas analisar a função do papel-moeda. Na história da humanidade, diversos produtos serviram como moeda: sal, animais e metais. O ouro foi um dos principais metais a servir como moeda, pois além de atribuir muito valor em pouco peso, não deteriorava com o tempo e era infinitamente divisível, permitindo assim o fracionamento que, por ventura, as transações pudessem exigir. No passado, as moedas passavam por um processo chamado cunhagem, que tinha por objetivo marcar, além de seu local de origem, também a expressão de seu valor. Porém, durante o passar do tempo, o valor expresso na moeda (ou seja, o valor que a moeda representava) passou a ser mais importante do que a quantidade de metais que ela realmente carregava. Esse processo permitiu separar o valor expresso da quantidade de matéria-prima, impulsionando o surgimento do papel-moeda.
No passado, por questões de segurança, muitas pessoas preferiam depositar suas moedas em determinadas casas – que mais tarde tornaram-se os atuais bancos -, e recebiam um certificado de depósito que constava o valor e atestava a existência efetiva da moeda. A medida que tais certificados representavam o mesmo valor das moedas, passaram a circular com mais intensidade, até substituir completamente o ouro e a prata. Os metais ainda existiam como garantia de valor, mas já não eram mais necessários para efetivar qualquer troca. Esse processo permitiu a separação do valor em relação a quantidade de metal, permitindo a criação do papel-moeda, utilizado amplamente hoje em dia.
No Brasil, o Banco Central é o responsável por autorizar a emissão de moeda, que por sua vez é confeccionada pela Casa da Moeda. Porém a emissão de novas moedas está atrelada com um assunto bastante controverso: inflação.
Defini-se como inflação a queda do poder de compra da moeda, também equivalente ao aumento do nível geral de preços. Os monetaristas (também chamados de economistas ortodoxos) afirmam que a emissão de moeda deve passar um por um processo de alto controle, pois pode causar instabilidade no sistema monetário, gerando inflação. Porém, um outro grupo de economistas defendem que perante a cenário negativo, com alto nível de desemprego, o aumento da emissão de moeda para financiar os gastos do governo pode ser positivo, podendo gerar, no curto prazo, produção adicional que compense a maior quantidade de moeda.
Para analisar essas duas posições, é imprescindível discutir acerca da seguinte fórmula:
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M*V = P*Y
Onde, M corresponde a quantidade de moeda em circulação, V a velocidade de circulação da moeda, P ao nível geral de preços e Y ao produto agregado. A velocidade de circulação (V) traduz, na média, o número de transações que podem ser liquidadas pela mesma unidade monetária, ou seja, quantas vezes o dinheiro troca de mãos. Pode-se supor a seguinte situação como exemplo: o agente A possui 10 reais em sua carteira, vai até o agente B e compra 10 reais em produto b (pagando com essa nota de 10 reais que estava em sua carteira). O agente B, por sua vez vai até o agente C e paga a sua dívida com o mesmo dinheiro. O agente C vai então até o agente A e adquire produtos no valor de 10 reais. Nesse caso, foram efetivadas trocas no valor total de 30 reais (a->b, b->c, b->a), porém não foi necessário circular na economia moeda no valor de 30 reais, bastou apenas girá-la três vezes ao longo desse período para permitir que todas as transações fossem efetivadas.
Os monetaristas defendem que a velocidade de circulação da moeda (V) é geralmente estável e atribuem efeito de causalidade na expressão citada, colocando M como causa e P como efeito. Dessa maneira, para os monetaristas, é sempre o aumento em M que causa aumentos em P, gerando assim inflação. Porém, para a outra linha de economistas, em alguns casos é P que pode causa aumento em M, e há determinados cenários que aumentos em M podem provocar aumentos em Y (como é o caso da emissão de moedas para financiar gastos do governo, conforme já abordado).
No Brasil, há diversos índices de inflação. Aqui você pode encontrar mais informações.
Referências
A Nova Contabilidade Social – Leda Paulani e Marcio Bobik Braga – 3º Edição – Editora Saraiva
A Teoria Geral do Emprego do Juro e da Moeda – John Maynard Keynes – 1ª Edição 1982
www.wikipedia.org (Inflação / Moeda)