1929 Wall Street Stock Market Crash

19 07 2010





Resenha – Corra Lola Corra

28 04 2010

Resenha do filme Corra Lola Corra

 

Corra Lola Corra é um filme alemão dirigido pelo diretor Tom Tywer, que destaca vigorosamente a constituição da sociedade no periodo contemporâneo. Repleto de sons e imagens envolventes, o longa-metragem traz questões referentes a importânica do tempo nos dias atuais.  A velocidade demonstrada na obra remete ao modelo de produção em série, onde cada minuto é precioso, onde a “fábrica” nunca deve parar. É possível perceber essa analogia pelo fato de Lola correr alucinadamente para alcançar o seu objetivo, um cenário onde cada minuto torna-se de extrema importância para o personagem.

Na história do filme, Lola precisa conseguir uma grande quantidade de dinheiro para livrar seu namorado de uma quadrilha para qual ele trabalha. Porém, a personagem tem apenas um curto espaço de tempo para alcançar tal façanha. Lola transforma-se então em uma máquina, um conjunto de mecanismos que precisar produzir (no caso, conseguir a quantia necessária de dinheiro) em um curto espaço de tempo. A partir dessa ótica, pode-se evidenciar a ligação de Corra Lola Corra com o filme Tempos Modernos de Charlie Chaplin, onde também o tempo, principalmente relacionado com a linha de produção, é evidenciado.

O tempo tornou-se uma característica intrínseca ao capitalismo. Os economistas clássicos também já destacaram essa relação em momentos anteriores. Adam Smith defendeu a divisão do trabalho, que seria favorável para o aumento da produtividade a partir da especialização em pequenas tarefas por parte dos trabalhadores e também a economia de tempo na passagem de uma tarefa para outra. Assim, tanto com base nos filmes Corra Lola Corra e Tempos Modernos, como também nas obras dos pensadores econômicos clássicos, é inevitável a associação da importância do tempo para a o modelo de produção capitalista.

Mas o filme Corra Lola Corra também aponta diversas questões que remetem a vida contemporânea, descolando-se assim de idéias apresentadas em Tempos Modernos. Corra Lola Corra é um filme de 1998 e Tempos Modernos de 1936, essa divergência entre os espaços de tempo é notória para que a sociedade sofresse determinadas transformações em seu modelo de constituição.

Em Tempos Modernos, a linha de produção é o enfoque central, onde todos executam uma tarefa especializada (divisão trabalho) de maneira sacal. Todos os trabalhadores são considerados instrumentos básicos de produção, onde embora cada um executa uma tarefa específica, como simples elementos de produção. Essa afirmação pode ser exemplificada quando no filme (Tempos Modernos), há uma cena onde todos os trabalhadores chegam à fábrica vestidos de maneira parecida, cada qual com o seu chapéu, mas sem nenhuma identidade própria para ser demonstrada.

Já em Corra Lola Corra acontece exatamente o oposto, ainda que o tempo continue como fator elementar, o modelo de produção destacado no filme de Charlie Chaplin é colocado de lado. Lola é uma personagem com identidade diversificada do padrão da sociedade na época, cabelos vermelhos e roupas não comuns. Mani, seu namorado, não possui um emprego formal e tradicional, mas está envolvido com crimes. Ambos os personagens fogem do padrão, e essa questão mostra as transformações da sociedade do período de Tempos Modernos até os dias atuais. Mas, embora tenha ocorrido muitas modificações, o tempo continua um elemento fundamental para todos que vivem no capitalismo. E foi justamente o fator tempo que causou todo o desenrolar do filme Corra Lola Corra, pois a personagem principal, Lola, não estava no momento combinado para buscar o seu namorado após uma de suas missões.





Crescimento X Desenvolvimento

19 03 2010

Qual a diferença entre um país que está em crescimento econômico e um país desenvolvido? Um país economicamente “rico” é necessariamente um país desenvolvido? A resposta imediata para essas questões é não. Há uma grande diferença entre um país que está em crescimento e outro que está em fase de desenvolvimento.

Constantemente, ouvimos em noticiários dados referentes ao Produto Interno Bruto (PIB) de um país, também chamado de produto agregado, que é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos dentro das fronteiras de uma nação. O PIB é uma variável interessante para ser utilizada como indicador econômico, pois permite mostrar a capacidade de geração de renda de um determinado país. Porém, se a idéia é mostrar a “qualidade de vida” da população, o produto agregado torna-se ineficiente.

Por exemplo, de acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2009, as 15 maiores economias em 2007 foram:

Posição País PIB 2007 (Mil Milhões de USD)
1 Estados Unidos 13.751,40
2 Japão 4.384,30
3 Alemanha 3.317,40
4 China 3.205,50
5 Reino Unido 2.772,00
6 França 2.589,80
7 Itália 2.101,60
8 Espanha 1.436,90
9 Canadá 1.329,90
10 Brasil 1.313,40
11 Federação Russa 1.290,10
12 Índia 1.176,90
13 México 1.022,80
14 Coreia Republica 969,80
15 Austrália 821,00

Tabela 1 – PIB 2007 (Valores absolutos – sem PPC)

A economia da China aparece como a 4ª maior do mundo na ótica do produto agregado, que mostra o quanto a China foi capaz de produzir em 2007. Porém, é notório que um país com uma população grande é capaz de produzir mais do que um país com uma população menor. Sendo assim, outra variável que passa a ser muito utilizada é PIB per capita, que mede o produto da economia de um país em contraste com o tamanho da sua população. A Tabela 2 está populada com dados referentes ao PIB per capita, retirados também do Relatório de Desenvolvimento Humano de 2009:

Posição Países PIB Per Capita
1 Luxemburgo 103.042,00
2 Noruega 82.480,00
3 Qatar 64.193,00
4 Islândia 64.190,00
5 Irlanda 59.324,00
6 Dinamarca 57.051,00
7 Suíça 56.207,00
8 Suécia 49.662,00
9 Países Baixos 46.750,00
10 Finlândia 46.261,00
11 Estados Unidos 45.592,00
12 Reino Unido 45.442,00
48 México 9.715,00
58 Brasil 6.855,00
59 Cazaquistão 6.772,00
60 Argentina 6.644,00
103 China 2.432,00
104 Geórgia 2.313,00

A China que é a 4ª maior economia, com base no produto agregado, despenca drasticamente quando se utiliza o PIB per capita, pois o alto valor do seu PIB recai sobre o tamanho de sua população. O mesmo acontece com o Brasil e os Estados Unidos, por exemplo.

O PIB per capita remonta à questão da geração de renda em um país, mas não nos diz de qual forma ela é divida entre a população, o que é fator muito importante, pois se for uma divisão muito desigual, essa situação pode impactar diretamente na qualidade de vida das pessoas. O Brasil é um exemplo clássico de país que tem um dos piores indicadores de distribuição de renda no mundo, causando um alto nível de desigualdade na população (embora esse cenário tenha melhorado nos últimos anos).

É de extrema importância analisar até que ponto a renda gerada por um determinado país reverte-se em benefícios para a população, como educação, saúde e saneamento. Em outras palavras, é preciso avaliar a qualidade de vida da população em contraste com o nível econômico do país, moldando o confronto entre crescimento econômico X desenvolvimento humano.

O crescimento econômico diz respeito à elevação do produto agregado do país, ou seja, o crescimento do PIB. Já o desenvolvimento é um conceito extremamente amplo que leva em consideração questões como qualidade de vida e redução das diferenças sociais entre os membros de uma sociedade. Um aumento do PIB de um país, por exemplo, não significa necessariamente uma elevação da qualidade de vida da população, embora seja fundamental para o processo de desenvolvimento. É importante ressaltar também que para medir o desempenho econômico de um país, o mais recomendável é a utilização do PIB per capita e não o produto agregado (PIB).

Mas de qual maneira podemos analisar a situação social e a qualidade de vida de um país? Um dos pontos mais importantes é a distribuição de renda, que pode ser analisado a partir de um índice denominado índice de Gini. Esse índice varia entre zero e 100 (muitas vezes também é apresentado entre zero e 1). Quanto maior o número, ou seja, quanto mais próximo de 100 ou 1 (dependendo da escala utilizada), indica que pior é a distribuição de renda no país; quanto mais próximo de zero, melhor a distribuição.

No caso do Brasil, segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano, o índice Gini é 55,00. Nos Estados Unidos esse índice chega a 40,8 e na Noruega bate os incríveis 25,8. No quesito desigualdade de distribuição de renda, o Brasil chega a perder inclusive para os países vizinhos, que mesmo com um PIB menor, conseguem melhores índices no indicador Gini, como é o caso da Argentina, com seu índice batendo em 50,0. A China, quarta maior economia, apresenta o índice Gini de 41,5.

Mas além do índice Gini, existem outros meios de medir a qualidade de vida de uma população, como as estatísticas baseada na linha da pobreza, indicadores de perfis distributivos e também o mais famoso índice de desenvolvimento humano (IDH). Esses indicadores sociais são os determinantes do nível de desenvolvimento de um país. Como já visto anteriormente, um crescimento econômico não está atrelado diretamente ao desenvolvimento, pois se o primeiro for muito concentrado, ou seja, pouco distribuído, uma grande parcela da população não está se beneficiando da elevação de renda gerada na economia.

O IDH é um índice criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) com o objetivo de medir o desenvolvimento “social” de um país, uma vez que é difícil mensurar a qualidade de vida da população com base apenas nos indicadores econômicos. O IDH agrega em sua metodologia três principais vertentes:

  • Um indicador de renda (renda per capita, ajustada para refletir a paridade do poder de compra)
  • Um indicador das condições de saúde, que nada mais é do que o índice de esperança de vida.
  • Um indicador das condições de educação (uma média ponderada dos seguintes indicadores: taxa de alfabetização de adultos e a taxa de escolarização bruta em relação ao ensino primário, secundário e superior).

Segue abaixo as fórmulas utilizadas para calcular o IDH:

  • IDH = E + S + R / 3
  • E = 2TA + TE / 3
  • S = EV – 25 / 60
  • R = log10 PIBpc – 2 / 2,60206
  • Onde, TA = taxa de alfabetização, TE = taxa de escolarização, EV = esperança de vida, log10PIBpc = logaritmo decimal do PIB per capita.

A essência fundamental do IDH é que todo o crescimento econômico deve vir acompanhado de uma elevação da qualidade de vida da população, como aumento da expectativa de vida e expansão das condições de educação, refletindo assim um nível maior de desenvolvimento.

Depois de uma série de manipulações estatísticas (fórmulas citadas anteriores), esses três componentes,  se transformam em um número que varia entre zero e um. Quanto maior o valor IDH, ou seja, quanto mais próximo de 1, melhor é a qualidade de vida da nação. Abaixo está a tabela com o nível de classificação dos países:

  • IDH de um país entre 0 e 0,499, é considerado baixo – país de desenvolvimento baixo
  • IDH de um país entre 0,500 e 0,799, é considerado médio – país de desenvolvimento médio
  • IDH de um país entre 0,800 e 0,899, é considerado elevado – país de desenvolvimento elevado
  • IDH de um país entre 0,900 e 1, é considerado muito elevado – país de desenvolvimento muito elevado

A tabela abaixo está populada com o ranking IDH 2009 (dados de 2007), retirado do Relatório de Desenvolvimento Humano 2009.

De acordo com essa tabela, o país mais desenvolvido, ou que apresenta a melhor qualidade de vida é a Noruega. O Brasil, que apareceu na primeira tabela como sendo a 10ª maior economia, agora aparece na posição 75º do ranking IDH. Essa situação ilustra claramente a diferença entre crescimento econômico e desenvolvimento. Nem sempre um país “rico” tem condições humanas de um país desenvolvido, e a grande parcela de culpa está no fato da desigualdade da distribuição de renda. O Brasil teve uma pequena queda na desigualdade no ano passado, e o programa Bolsa Família foi um dos responsáveis por essa melhora. Eu não estou defendo o governo Lula e nem exaltando o Bolsa Família, mas quero simplesmente demonstrar que um programa de transferência de renda pode trazer bons resultados para tais índices vistos anteriormente.





Revolução das Mídias Sociais

11 03 2010

Esse vídeo traz alguns dados interessantes em relação às mídias sociais, um novo modelo social e econômico que já está consolidado. É importate ressaltar que uma das principais vantagens das mídias sociais é a quebra das barreiras dos modelos produtivos, que anteriormente estavam apenas nas mãos das grandes indústrias, e hoje estão distribuídos nas mãos da sociedade.





Moeda e Inflação

10 01 2010

Afinal, o que é moeda? Esse elemento econômico está tão presente nas nossas vidas que dificilmente paramos para pensar sobre a sua história e sobre a sua definição. Porém, é ela a responsável por vários aspectos de funcionamento de uma economia, servindo como a intermediação na troca entre mecadorias na sociedade atual. Mas nem sempre foi assim, antigamente havia a chamada economia de escambo, ou seja, uma economia baseada na troca pura, onde não havia moeda, e os agentes tinha que negociar trocas de produtos diretamente entre eles. Porém, a medida que crescia o número de agentes nessa economia, mais complexo tornava-se o modelo de troca.

Um exemplo pode deixar mais claro o cenário de uma economia de escambo: Podemos pensar em uma economia com os agentes A, B, que produzem respectivamente os produtos a e b. Se A necessita do produto b, ele poderá negociar diretamente com B a troca do produto a por b. Porém, o agente B precisa demonstrar interesse pelo produto a, pois caso contrário, a troca pode não ser efetivada. Complicando um pouco mais ainda, pode-se adicionar o agente C responsável por produzir o produto c. Agora, a economia é composta pelos agentes A, B, e C, que produzem a, b e c. Caso o agente A queira trocar o seu produto por c, mas C só necessite do produto b, então A deve negociar com B a troca do produto a por b, para posteriormente efetivar a troca com C.

É notório, com base no exemplo acima, que a ausência da moeda pode ser um obstáculo para o desenvolvimento da economia, além de tornar a vida cotidiana das pessoas mais difícieis. No cenário anteriormente citado, foi tomado como base apenas 3 agentes e foi fácil verificar as dificuldades, e pensando no mundo contemporâneo, com milhões de agentes, uma economia baseada em escâmbo tornar-se-ia impossível de ser praticada.  Mas enfim, qual a origem da moeda? É complicado especificar a data de surgimento da moeda, mas sabe-se que ela foi a potencializadora do processo de divisão do trabalho, e consequentemente da difusão do processo de troca em uma economia.  Assim, a presença da moeda permite desassociar as trocas diretas. Por exemplo, A pode trocar o seu produto por moeda, e depois trocar a moeda por um produto de seu interesse. Assim a moeda assume uma de suas principais características: servir como meio de troca.

Entretanto, além de servir como meio de troca, a moeda deve apresentar duas adicionais propriedades: unidade de conta e reserva de valor. Por unidade de conta, entende-se a moeda como medida de valor, ou seja, a forma de expressão de valor de todas as mercadorias. Um exemplo pode ajudar a enteder: pense novamente na economia ausente de moeda e composta pelos agentes A, B, C. Para que hajam trocas puras, torna-se necessário especificar a quantidade necessária para troca entre TODAS as mercadorias. Caso A queira trocar seu produto por b, ele precisa saber qual a quantidade de a necessária para fazer frente ao produto b. Agora, imagine tal relação em uma economia composta de milhões de mercadorias.

A moeda tem como objetivo, em sua função de unidade de conta, exatamente eliminar tal tipo de associação entre os valores das mercadorias, assumindo assim tal papel. Com a presença da moeda, o valor da mercadoria de A não precisa ser expresso em mercadorias de B, C, D, Z e Y, mas basta apenas apresentar seu valor em unidade de moeda. O ouro desempenho o papel de moeda em diversos momentos da história, sendo justamente ele que mudava de mãos quando haviam trocas de mercadorias (função de meio de troca), e para que isso ocorresse era necessário que todas as mercadorias fossem mensuradas e tivessem seu valor expresso em certa quatidade de ouro. Resumindo, a moeda com sua função de unidade de conta permite estabelecer em todos o universo os valores das mercadoria entre sí, constituindo a estrutura relativa de preços. Ao invés do agente A expressar o valor de seu produto em relação as outras mercadorias, ele precisa apenas expressar o seu valor em ouro, pois os outros agente assim também farão.

A última propriedade a ser abordada é a reserva de valor. A moeda permite alocar no tempo as transações economicas de um agente, trazendo assim maior conveniência para os agentes. O agente A, pode vender todas as suas mercadorias e reservar as moedas recolhidas para uso futuro. Caso o agente A produzisse algum produto perecível, esse seria impossível de servir como reserva de valor devido a sua data de validade. Entretanto, há outros bens, como os imóveis, que também podem servir como reserva de valor, mas são menos líquidos que a moeda.

Até o momento defininos o que é a moeda e quais são suas principais propriedades,  bastando apenas analisar a função do papel-moeda. Na história da humanidade, diversos produtos serviram como moeda: sal, animais e metais. O ouro foi um dos principais metais a servir como moeda, pois além de atribuir muito valor em pouco peso, não deteriorava com o tempo e era infinitamente divisível, permitindo assim o fracionamento que, por ventura, as transações pudessem exigir. No passado, as moedas passavam por um processo chamado cunhagem, que tinha por objetivo marcar, além de seu local de origem, também a expressão de seu valor. Porém, durante o passar do tempo, o valor expresso na moeda (ou seja, o valor que a moeda representava) passou a ser mais importante do que a quantidade de metais que ela realmente carregava. Esse processo  permitiu separar o valor expresso da quantidade de matéria-prima, impulsionando o surgimento do papel-moeda.

No passado, por questões de segurança, muitas pessoas preferiam depositar suas moedas em determinadas casas – que mais tarde tornaram-se os atuais bancos -, e recebiam um certificado de depósito que constava o valor e atestava a existência efetiva da moeda. A medida que tais certificados representavam o mesmo valor das moedas, passaram a circular com mais intensidade, até substituir completamente o ouro e a prata. Os metais ainda existiam como garantia de valor, mas já não eram mais necessários para efetivar qualquer troca. Esse processo permitiu a separação do valor em relação a quantidade de metal, permitindo a criação do papel-moeda, utilizado amplamente hoje em dia.

No Brasil, o Banco Central é o responsável por autorizar a emissão de moeda, que por sua vez é confeccionada pela Casa da Moeda. Porém a emissão de novas moedas está atrelada com um assunto bastante controverso: inflação.

Defini-se como inflação a queda do poder de compra da moeda, também equivalente ao aumento do nível geral de preços. Os monetaristas (também chamados de economistas ortodoxos) afirmam que a emissão de moeda deve passar um por um processo de alto controle, pois pode causar instabilidade no sistema monetário, gerando inflação. Porém, um outro grupo de economistas defendem que perante a cenário negativo, com alto nível de desemprego, o aumento da emissão de moeda para financiar os gastos do governo pode ser positivo, podendo gerar, no curto prazo, produção adicional que compense a maior quantidade de moeda.

Para analisar essas duas posições, é imprescindível discutir acerca da seguinte fórmula:

  • M*V = P*Y

Onde, M corresponde a quantidade de moeda em circulação, V a velocidade de circulação da moeda, P ao nível geral de preços e Y ao produto agregado. A velocidade de circulação (V) traduz, na média, o número de transações que podem ser liquidadas pela mesma unidade monetária, ou seja, quantas vezes o dinheiro troca de mãos. Pode-se supor a seguinte situação como exemplo: o agente A possui 10 reais em sua carteira, vai até o agente B e compra 10 reais em produto b (pagando com essa nota de 10 reais que estava em sua carteira). O agente B, por sua vez vai até o agente C e paga a sua dívida com o mesmo dinheiro. O agente C vai então até o agente A e adquire produtos no valor de 10 reais.  Nesse caso, foram efetivadas trocas no valor total de 30 reais (a->b, b->c, b->a), porém não foi necessário circular na economia moeda no valor de 30 reais, bastou apenas girá-la três vezes ao longo desse período para permitir que todas as transações fossem efetivadas.

Os monetaristas defendem que a velocidade de circulação da moeda (V) é geralmente estável e atribuem efeito de causalidade na expressão citada, colocando M como causa e P como efeito. Dessa maneira, para os monetaristas, é sempre o aumento em M que causa aumentos em P, gerando assim inflação. Porém, para a outra linha de economistas, em alguns casos é P que pode causa aumento em M, e há determinados cenários que aumentos em M podem provocar aumentos em Y (como é o caso da emissão de moedas para financiar gastos do governo, conforme já abordado).

No Brasil, há diversos índices de inflação. Aqui você pode encontrar mais informações.

Referências

A Nova Contabilidade Social – Leda Paulani e Marcio Bobik Braga – 3º Edição – Editora Saraiva

A Teoria Geral do Emprego do Juro e da Moeda – John Maynard Keynes – 1ª Edição 1982

www.wikipedia.org (Inflação / Moeda)





Taxa de Câmbio e Regimes Cambiais

10 12 2009

A Taxa de câmbio é a definição do preço de uma unidade de moeda estrangeira expressa relação a moeda nacional. No Brasil, por exemplo, a taxa de cambio de real em dólar define o preço em reais para 1 dólar americano.

Hoje o valor da taxa de câmbio em relação a moeda norte-americana é de R$1,76 / US$1,00. Isso significa que para comprar 1 unidade da moeda estrangeira é necessária a quantia de R$1,76.

Uma elevação da taxa citada acima, por exemplo, de R$1,76 para R$1,90, implica em uma desvalorização nominal da taxa de câmbio. Em outras palavras, esse cenário indica que a moeda nacional agora vale menos em relação a moeda estrangeira. Por outro lado, se houvesse uma queda da taxa, isso implicaria em uma valorização do câmbio, ou em outras palavras, que a moeda nacional vale mais do que antes, e que é possível comprar uma unidade de moeda estrangeira com uma quantidade menor de moeda nacional.

A taxa de câmbio tem papel fundamental nas relações de comércio exteriores, pois impacta diretamente principalmente os importadores e exportadores de bens e serviços. Pode-se exemplificar esse cenário:

Uma empresa nacional exportou para os Estados Unidos mercadorias referentes a quantia de US$20.o00,00 à vista. Essa empresa necessita ir até o Banco Central (que na realidade ocorre através do mercado financeiro mesmo) e trocar seus dólares por reais à taxa de câmbio do dia. Supondo que a taxa de câmbio fosse de R$1,20, o exportador receberia a quantia de R$24.000,00. Porém, se a taxa de câmbio sofresse uma elevação (desvalorização nominal) atingindo o valor de R$1,30, o exportador receberia R$26.000,00 e não mais R$24.000,00. Na realidade, essa desvalorização tornou mais barata as mercadorias em moeda estrangeira e mais caras em moeda nacional, resultando no aumento da  receita do exportador. Porém, se analisássemos essa mesma alteração da taxa cambial para um importador, o cenário seria bastante desfavorável. Uma empresa que importasse uma mercadoria, com a desvalorização nominal, pagaria mais por ela, o que poderia afetar diretamente o mercado local.

De forma geral, percebe-se que a desvalorização cambial tende a estimular as exportações e diminuir as importações, pois encarece as mercadorias importadas e barateia, para o mercado exterior, os bens/serviços que o país exporta. Mas tudo é bastante relativo, na empresa em que trabalho, por exemplo, vendemos serviços para outras empresas no exterior, e quando há uma forte valorização cambial (como ocorreu do começo do ano até hoje), espera-se que nossa receita aumente, porém os nossos serviços passam a ficar mais caro, e consequentemente perdemos muitas oportunidades para países que oferecem preços melhores (principalmente a Índia).

Foi abordado até o momento apenas a taxa nominal de câmbio. Mas os economistas, e também o mercado empresarial, consideram taxa de câmbio em seu conceito real. A taxa de câmbio real envolve em seu cálculo a influência da inflação no mercado nacional e no mercado estrangeiro (no nosso caso a inflação do Estados Unidos, pois estamos usando nos exemplos a moeda dólar).

Para calcular a taxa de câmbio real utiliza-se a seguinte fórmula:

  • E = e. P*/P, onde:
  • E= Taxa de câmbio real
  • e= Taxa de câmbio nominal
  • p*= índice de preços do país estrangeiro
  • p= índice de preço no mercado nacional

Ao utilizar o conceito de taxa cambial real, leva-se em consideração a inflação interna e também a inflação externa. É fácil perceber que a inflação interna tende a encarecer os produtos de exportação (e tornar mais barato os produtos importação). Já a inflação externa, tem efeito contrário, encarecendo os produtos de importação e estimulando as nossas exportações. Com base nessas informações, fica fácil analisa que somente a taxa cambial nominal não reflete a realida acerca do comportamento real da taxa de câmbio, mas também devem ser consideradas tanto a inflação  internas  com também a externas.

No livro “A Nova Contabilidade Social”, os autores citam um simples exemplo para essa situação. Pede-se para que suponhamos que, no período 1, a taxa de câmbio tenha sido de $ 1,00, e que no período 2, a mesma tenha mudado para $ 1,10 (desvalorização nominal da moeda nacional). Pede-se também para supor que no período 1, a inflação interna tenha sido de 20%, enquanto a externa tenha sido de 5%. Substituindo esses valores na fórmula, é possível notar que apesar da desvalorização nominal de 9,1% (o que implicou em uma valorização de 10% do dólar), em termos reais obteve-se uma valorização da moeda nacional de aproximadamente 3,9%, pois nem mesmos os 10% do crescimento nominal do câmbio e os 5% da inflação externa forma suficientes para compensar a inflação de 20% do mercado interno.

Porém, é importante ressaltar que o conceito de taxa de cambio real apresenta determinados desafios, pois o produto que está sendo comercializado pode ter sofrido inflação totalmente diferente em relação a inflação utilizada na fórmula (que na verdade é um cálculo médio que inclui uma série de bens e serviços).

Foi definido, até o momento, o conceito de taxa de câmbio nominal e real, porém não foi abordado os fatores que influenciam o seu valor. Basicamente, há três regimes cambiais: flutuante, fixo e misto.

O regime cambial flutuante é aquele que permite que a taxa cambial seja definida livremente para garantir o equilíbrio do mercado, ou seja, o equilíbrio entre a moeda nacional e a moeda estrangeira. No regime flutuante, a oferta é determinada pelos exportadores e a demanda pelos importadores. Nesse sistema não há qualquer intervenção do Banco Central.

Já o regime cambial fixo é determinado pelo Banco Central. O mecanismo de intervenção do Banco Central se dá a partir da compra e venda da moeda estrangeira. Nesse caso, há a necessidade de o Banco Central dispor de reservas suficientes para ser o grande comprador e vendedor do mercado. Caso o Banco Central não possua reservas suficentes ou julgar que não é conveniente utilizá-las, resta-lhe ainda a possibilidade de desvalorizar o câmbio, ou seja, tornar a moeda estrangeira mais cara para desestimular sua demanda.

O regime misto é atualmente o regime cambial utilizado na maioria dos países. Nesse sistema, a taxa de cambio pode variar livremente (regime flutuante) dentro de limites estipulados. Caso a taxa alcance esses limites, o Banco Central pode agir através da compra e venda da moeda estrangeira, para proteger tanto os exportadores, como também os importadores.

É também de grande importância citar a relação da taxa de câmbio em relação aos juros. Basicamente, quando a taxa de juros interna se eleva, há um grande incentivo para a entrada de moeda estrangeira, pois a taxa de juros interna se tornou mais atrativa do que a externa. Consequentemente, o contrário também é inevitável. Quando a taxa de juro do mercado externo for mais atraente, poderá ocorrer saída de capital do mercado interno para o mercado externo.

Recentemente, o governo brasileiro resolveu, através de uma outra maneira, intervir para conter a forte valorização da taxa cambial do país através da taxação do capital estrangeiro em investimentos de curto prazo no Brasil através do IOF . Segundo o Ministro Guido Mantega, havia um “excesso” de dólares no país, sobretudo na bolsa de valores. Segue um link para uma reportagem da BBC Brasil sobre o assunto: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/11/091118_iof_vale_topico.shtml

Referências:

http://www.bcb.gov.br/?TXCAMBIO

A Nova Contabilidade Social – Leda Paulani e Marcio Bobik Braga – 3º Edição – Editora Saraiva





Bolsa de Valores dos Piratas Somalis

2 12 2009

Desde o ano passado estão acontecendo diversos ataques de piaratas somalis na região do Oceano Índico (mais estrategicamente no Golfo de Áden, a porta de entrada para o Canal de Suez, que faz a ligação entre Europa e a Ásia). Os piratas sequestram navios (de todos os portes) e pedem resgates milionários para libertarem os tripulantes e as embarcações. Somente para exemplificar a audácia dos piratas somalis, pode-se citar o sequestro do mega-petroleiro saudita “Siros Star”, o qual foi solicitado incialmente um resgate de 25 milhões de dólares.

Esses ataques piratas têm impacto direto na economia de determinadas empresas transportadoras (marítimas), que já pensam em mudar a rota de suas embarcações para contornarem a África (através do Canal da Boa Esperança), e não utilizar mais o Canal de Suez. Essa modificação de rota acarreta em mais custos para as empresas, pois o caminho a ser percorrido é maior. O tempo de viagem também tende a ser mais longo.

Mas o mais impressionante foi a notícia que eu encontrei no site da Reuters. Agora os piratas somalis criaram um modelo de bolsa de valores para os seus ‘negócios’, que aparentam ser bem rentáveis.  Um ‘investidor’ confirmou na reportagem que  consegui 75 mil dólares em apenas 38 dias desde que começou nesse ramo. Vale a pena ler a notícia: http://www.reuters.com/article/wtUSInvestingNews/idUSTRE5B01Z920091201?sp=true

Mas vale lembrar que há um grande esforço dos países da Europa e Ásia para combater a pirataria na região do Golfo de Áden. Recentemente houve diversos conflitos entre os piratas e fragatas italianas e portuguesas, por exemplo. Inclusive, Portugal chefiará a missão da Otan de combate à pirataria ana região da Somália até o fim de janeiro de 2010.





Economia na Idade Média e a transição do Feudalismo para o Capitalismo

29 10 2009

A história da economia na Idade Média se divide em dois principais períodos:

- Séc IV ao séc X = Período de “escassez endêmica”.

- Séc XI ao séc XIII = Período de prosperidade.

Período de “escassez endêmica”

 

Inicia-se esse artigo com a análise da estrutura econômica na Europa Ocidental entre os séculos IV e X. Esse foi um período crítico na estrutura econômica, principalmente influenciada pela queda populacional, o que resultou em uma estagnação da produtividade. O comércio era de baixa monetização e a economia era totalmente baseada no modelo agrário dominial.

Os domínios eram caracterizados por seu modelo de funcionamento, que girava em torno da sua divisão em duas partes. A primeira era denominada terra indominicata (reserva senhorial) e destinava-se a ser explorada pelo senhor. Era também nesse espaço que se encontrava o estoque de “capital físico”, como edificações, celeiros, oficinas e moinhos.

A segunda parte era chamada de terra mansionaria (mansos), cujo a sua exploração destinava-se aos servos. Cada manso era a menor unidade produtiva de um domínio e tornou-se a fonte de produção de famílias camponesas. Vale ressaltar que, por ter recebido a concessão de exploração de determinado pedaço de terra, a família havia de prestar serviços ao senhor. Esse tipo de serviço foi denominado corvéia, e foi a alternativa encontrada pelos senhores para empregar o trabalho de seus servos para exploração em sua reserva senhorial, uma vez que havia dificuldade de obter mão-de-obra perante a uma conjuntura de depressão demográfica. Assim, é de suma importância destacar que a prestação de serviço na reserva senhorial representava claramente a essência do modelo de regime dominial.

A agricultura domínial não apresentava grandes diferenças em relação a agricultura encontrada na Antiguidade, buscando-se basicamente o cultivo no sistema bienal. Entretanto, foi em torno do séc VII que houve a chamada “grande inovação agrícola da Idade Média”, onde passou-se a utilizar o sistema de produção agrícola trienal. Com esse modelo, a área cultivável era dividida em três partes, o que facilitava a extensão produtiva e ainda suportava a segurança de duas colheitas anuais. Isso foi um dos fatores determinantes para uma transforamação economica que estava por vir.

O setor secundário, durante o mesmo período, também estava fragilizado pela depressão demográfica, pois não havia mão-de-obra e consumidores. Assim, o artesanato concentrava-se, entre os séculos IV e X, no interior dos domínios.

Já o setor terciário estava limitado praticamente ao comércio. Este por sua vez era focado no comércio marítimo de longa distância. Entretanto, o comércio interno, embora em estado limitado, não foi paralisado. Se por um lado havia dificuldades na produção, que limitavam a geração de excendete produtivo, por outro lado, tornava-se necessário o comércio para que fossem buscados em outras regiões determinados produtos que eram escassos.

Período de prosperidade

O período que compreende os séculos XI e XIII foi palco de importantes mudanças nos elementos que haviam marcado aquele período de escassez endêmica, principalmente influenciadas pelo aumento da população e algumas mudanças climáticas que acarretaram no aumento da produtividade. Podemos destacara quatro transformações:

- Mudança no Regime Senhorial

- Processo de Comércio e Urbanização

- Aceleração na Indústria Têxtil e de construção

- Aumento da monetização

A primeira transformação foi a passagem da agricultura dominial para a senhorial, principalmente influenciada pelo incremento demográfico que houve em meados do século X. Com isso, ocorreu a a divisão dos mansos em lotes menores, chamadas de tenências, para que assim as áreas cultiváveis fossem repartidas entre um número maior de famílias camponesas. Embora a corvéia ainda fosse adotada em determinados domínios, novas relações de produção estava ganhando forças, como o pagamento em moeda pelo usofruto das tenências e até mesmo o surgimento do trabalho assalariado.

O senhores também viram a diminuição do tamanho de suas reservas senhoriais devido, como já dito, a necessidade de criação de novas tenências camponesas. Porém, esse não foi o único motivo. Pode-se também citar que o progresso das técnicas agrícolas (principalmente o sistema trienal) permitiu ao senhor obter maior produção com um tamanho menor de terra, e também por grande parte de suas receitas ser originadas por parte dos pagamentos dos servos, ao invés da exploração direta da terra. Também havia uma nova ordem social que estava em evidência desde o fim do século X, o Feudalismo.

Por Feudalismo, entende-se as relações de vassalagem, onde o senhor cedia terras sob forma de feudos para seus vassalos, que por sua vez asseguravam proteção e aliança militar. É importante também não confundir o conceito de senhorio e feudo. Por senhorio, entende-se um território que dava a seu detentor poderes econômicos. Já o feudo, era uma cessão de direitos geralmente, mão não necessariamente, sobre um senhorio. Pode-se citar que o senhorio era a base econômica do feudo, e por esta razão poderiam haver terras senhorializadas e não feudalizadas, mas não poderiam haver terras feudalizadas que não fossem também senhorializadas.

Principalmente graças ao aumento da quantidade de mão-de-obra e o surgimento de novas técnicas agrícolas, houve um grande aumento da produção que levou a geração de um excedente agrícola, e assim, por sua vez, ao revigoramento do comércio.

A segunda transformação importante no período foi o justamente o ressurgimento de práticas comerciais. É importante destacar que embora somente uma pequena parcela da população estivesse envolvidada em atividades relacionadas ao comércio, esse segmento ganhava constante evidência. Um pouco menos para atividades locais, já que o comércio local euroupeu envolvia pouco capital e a geração de baixos lucros.

Os maiores beneficiados eram aqueles que dedicavam-se ao comércio de longa distância por vias marítimas, principalmente por ser esse um modelo de transporte mais barato, além de colocar em prática no comério mercadorias raras do Oriente. O modelo de comércio marítmo desenvolveu-se em dois principais eixos principais na Europa:  Mediterrâneo (dominado pelos italianos) e o Nórdico (dominado pelos alemães). É importante também citar que entre esses polos, estrutura-se uma longa faixa de comércio e indústia têxtil, que abrange desde o Noroeste da Europa até o Sudoeste da Inglaterra.

Com o avanço do comérico surge, incialmente, a figura do mercador intinerante, que buscava mercadorias em determinadas localidades e frequentava feiras para comercializá-las. Com o aumento da acumulação de capital por parte deste mercador, fez surgir uma nova figura, a do mercador sedentário. Este já não mais se envolvia diretamente em expedições de troca de mercadorias, mas era o responsável por mobilizar os recursos necessários para quem as fizessem.

Foi justamente com o mercador sedentário que houve um aperfeiçoamento dos créditos, dos seguros, do direito do comério e posteriormente da contabilidade. É importante destacar que os comerciantes se estabelecem nas cidades, o que influencia o processo de urbanização, que por sua vez acarretará na demanda por educação, fazendo surgiu assim as primeiras universidades na Idade Média.

A terceira transformação na Idade Média foi o processo que pode ser chamado de Revolução Industrial Medieval, e seu ponto de partida foi também o aumento demográfico, e o ressurgimento do comércio, que estimularam o desenvolvimento urbano. As cidades tornaram-se um imã para os camponeses que conseguiam romper seus laços servis. O artesanato foi o inicio desse processo, porém logo foi sufocado pelo aumento de demanada do mercado consumidor, forçando assim o desenvolvimento de uso de máquinas para aumentar a produção. As duas maiores indústrias no momento eram a de construção e a têxtil.

A produção industrial nas áreas urbanas estava organizadas em associações profissionais chamadas de corporações de ofício. Na sua organização interna, cada corporação era constituída por várias ofícias, as quais pertenciam a um indivíduo conhecido como mestre, dono da matéria-prima e das ferramentas. Os vários mestres formavam um colegiado para garantir a não concorrência entre as oficinas e tentar assim garantir maior poder de negociação perante aos comerciantes.

A quarta transformação na Idade Média foi uma maior monetização da economia influenciada pelo progresso inciado no início do século XI. Porém, foi encontrado um primeiro problema que estava relacionado com a grande diversidade de moedas senhoriais existentes e circulando em uma área restrita. O segundo problema estava relacionado com o baixo valor das espécies, resultado da reforma monetária (carolígna) do século VIII, onde houve a implementação do monometalismo da prata.

Para a solução do primeiro problema, houve um fortalecimento do poder monáquico, que passou a controlar a cunhagem de moedas. Na França, por exemplo, as 300 oficinas de cunhagem de moeda existentes foram reduziadas para apenas 30. Já para o segundo problema, a solução encontrada foi colocar em circulação metais que haviam sido armazenados como forma de entesouramento em épocas anteriores. Também graças a expansão mercantil, houve um grande fluxo entrante de ouro mulçumano, o que ajudou a reinstaurar a prática do bimetalistmo.

Iniciou-se também um processo de atividade bancária, principalmente na Ítalia. Como os comerciantes enfrentavam dificuldades perante a grande variedades de moedas, alguns começaram a dedicar-se ao câmbio, ficando conhecidos como banqueiros. Este nome se dá justamente por eles colocarem em exposição as moedas para troca em bancas, como uma outra mercadoria qualquer. Posteriormente, apliaram seus leques de atuação, passando a aceitar depositos reembolsáveis, fazendo empréstimos e transferindo valores de uma cidade para outra.

Resumindo, o período que compreende entre os séculos XI e XIII foi de expansão economica e de reformulações sociais, o que levou alguns autores a denominá-lo de “premissas do capitalismo”.

Transição do Feudalismo para o Capitalismo – Debate entre Maurice Dobb e Paul Sweezy

Maurice Dobb e Paul Sweezy debatem sobre os motivos e os fundamentos da transição entre o Feudalismo e o Capitalismo. Para iniciar este debate, podemos mostrar as idéias principais que conduzem o pensamento de Dobb.

Dobb define o capitalismo com ênfase na servidão: prestação de serviço através da forma de trabalho realizada na reserva senhorial. Paul Sweezy, por sua vez, cita que essa definição é falha por não indentificar um sistema de produção. Também defende que a servidão é muito abrangente, uma vez que outros modelos de produção também apresentam essa relação.

Dobb traça então um esquema conciso das características mais importantes do Feudalismo. São elas:

- Baixo nível técnico, no qual os instrumentos de produção  são simples e baratos, e o ato de produção é em grande parte de carater individual. A divisão de trabalho (defendida muito tempo depois por Adam Smith) é ainda bastante primitiva.

- A produção era focada principalmente para atender a subsistência das famílias e das comunidades locais, não havia enfoque para um mercado mais amplo.

- Agricultura dominial através do trabalho compulsório por parte dos servos.

- Descentralização da Política.

- Posse de terra em troca de prestação de serviços.

- Senhor detém o direito em relação à população dependente.

Essas são as características que Dobb cita ser as evidências do Feudalismo clássico, mas talvez seja importate destacar que talvez isso fosse aplicado mais especificamente no espaço da Europa Ocidental. Já Sweezy cita que ainda falta a indicação do Feudalismo como um sistema de produção para uso, o que implica em uma economia que visa a estabilidade e a ordem. Porém, mesmo assim, haviam determinados fatores que poderiam levar a instabilidade. São eles: competição por terra, gerando atritos e guerras, e também a questão do aumento populacional, que superarava os limites das estruturas do modelo do Feudalismo.

Dobb dialoga com a teoria tradicional de que o aumento do comércio levou a queda do Feudalismo. Para o autor, essa teoria não era tão óbvia, pois o aumento do comércio poderia levar tanto ao aumento da servidão quanto a sua extinção. Como Dobb defende que o comércio estava na fronteira do Feudalismo (fator externo), argumenta então que foram os seus próprios fatores internos que levaram o Feudalismo a sua ruptura. Assim, o autor define que as ineficiências produtivas do Feudalismo, alinhada com o aumento da necessidade de receita por parte dos senhores, levaram a uma superexploração da força de trabalho, que por sua vez, influenciaram que os servos desertassem das terras senhoriais.

Sweezy, mais uma vez debate sobre os pontos abordados por Dobb. Primeiro, ele diz que o autor deve apontar e justificar que os reais motivos da necessidade do aumento das receitas e a fuga dos servos são fatores internos do Feudalismo. Para defender sua hipótese, Dobb aponta quatro motivos:

1- Desprezo pelos servos

2- Guerras aumentam as despesas

3- Aumento da população nobre

4- extravagâncias da “classe dominante”

Sweezy rebate os pontos apresentados por Dobb, e afirma que o desprezo e as guerras sempre existiram, portanto não há relevâncias específicas para a queda do Feudalismo. Também defende que houve um aumento total da população, assim todas as classes cresceram, o que não acarreta em um grande aumento relativo da população nobre. Em relação as extravagâncias cometidas pela classe dominante, Swezzy concorda, porém defende que isso gira em torno do comércio (principalmente o internacional), o qual tornou-se o “menu de consumo” da classe nobre. Por fim, Sweezy argumenta que não há dúvidas da relação da fuga dos servos com o fim do feudalismo, mas ressalta que o ponto de vista da superexploração não é o melhor, e defende que isso está relacionado com o processo de urbanização, consequentemente, com o avanço do comércio.

Referências

LE GOFF, J. Mercadores e Banqueiros da Idade Média. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

FRANCO, H Jr. A Idade Média, Nascimento do Ocidente. São Paulo: Brasiliense, 2001.

HILTON, R; et all. A Transição do Feudalismo para o Capitalismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.





Entendendo o pré-sal: uma chance eminente para o Brasil

10 09 2009

O  pré-sal é uma das grandes descobertas mundiais de petróleo dos últimos anos: corresponde a uma faixa de área, abaixo do leito do mar, de aproximadamente 800 km entre os estados do Espirito Santo e Santa Catarina.  O óleo é encontrado em uma profundidade de 7 mil metros abaixo da camada de sal, situação que também é positiva para manter a qualidade do petróleo.

Nessa área de pré-sal já foram descobertas vários campos e poços de petróleo, com destaque para o maior deles, o campo de Tupi. Também há outros, como o Carioca, Guará, Bem-Te-Ví e Iara. Porém, a Petrobrás não descarta a hipótese de que esses campos possam ser interligados, formando uma única e gingatesca reserva de petróleo. Segundo o governo, já é comprovado que as reservas do pré-sal  tenham a capacidade entre 9 e 14 bilhões de barris, o que resulta no aumento em pelo menos o dobro da atual capacidade das reservas do país. 

O pré-sal pode ser um importante elemento para que o país se desenvolva, passando a ser um dos grades exportadores de petróleo do mundo. O próprio presidente Lula afirmou, na cerimônia de apresentação da proposta do modelo regulatório de exploração do pré-sal, que o Brasil deve se capacitar para exportar não somente o óleo bruto, mas sim os derivados de gasolina, óleo diesel, entre outros produtos, que são mais rentáveis. É importante ainda ressaltar que o Lula defende que o petróleo do pré-sal é um bem da sociedade brasileira, e por esta razão está sendo discutido o novo modelo de exploração de petróleo no Brasil, chamado de marco regulatório do pré-sal.

Marco regulatório do pré-sal

O presidente Lula assinou na semana passada quatro projetos de lei que  deveriam ser enviados ao Congresso com regime de urgência constitucional. Esse regime estipula que os projetos devem ser analisados e votados na Câmara em até 45 dias. Após isso, os projetos são encaminhados ao Senado, que por sua vez tem mais 45 dias para análise e votação. Caso haja alguma mudança nos projetos aprovados pela Câmara, eles terão que ser novamente votados pelos deputados (em um prazo de 10 dias). O governo alegava que o assunto do pré-sal já está em discussão desde 2007, quando a Petrobrás  fez a descoberta. Entretanto, ontem o presidente Lula voltou atrás e aceitou retirar o regime de urgência constitucional, e assim a Câmara se compromete em votar esse projetos em até 60 dias.

O primeiro projeto de lei (5938/09) estabelece a regra de regime de partilha para a exploração e produção de petróleo, gás natural. Atualmente no país, utiliza-se o regime de concessão. A diferença entre os dois regimes de exploração tem o seu fundamento em relação ao “proprietário” do óleo.

Concessão: todo o óleo é propriedade da empresa resposável pela exploração. A parcela do governo é atribuida através de bônus de assinatura, royalties, participação especial e também pela ocupação e retenção das áreas.

Partilha: o óleo é dividido entre a empresa e a União. Nesse caso o governo consegue impor maior gerenciamento e controle.

Seguindo as afirmações de Lula, o regime de partilha parece ser o mais apropriado para “garantir” a propriedade do óleo para a União. Esse regime é atualmente encontrado na Arábia Saudita, Irã, Líbia e Venezuela. Países marcados por uma reputação ruim referente à democracia. Talvez, essa seja uma boa oportunidade estratégica para o Brasil, para mostrar que um país no ocidente, com uma boa (porém, discutivel) democrácia e petróleo de qualidade possa obter sucesso através do regime de partilha.

O segundo projeto de lei (5939/09) visa a criação da Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural S.A (Petro-sal), nova estatal que seria responsável por administrar os contratos de exploração através do regime de partilha. A Petro-sal não seria responsável pela execução direta das atividades de exploração, desenvolvimento e comercialização do petróleo. Sua função principal seria monitorar e auditar as atividades relacionadas a execução de projetos de exploração. Embora o governo afirme que essa empresa tem como objetivo ser uma entidade enxuta. Esse pode ser um problema sério em uma país como o Brasil, onde costuma-se encontrar “gorduras” em funções públicas. 

O terceiro projeto de lei (5940/09) trata da criação de um fundo social com o objetivo de absorver todos os recursos do governo obtidos com o pré-sal. Nesse caso, os rendimentos do fundo deverão ser utilizados na área social, ciência, tecnologia, educação e meio ambiente. Vale destacara o comentário da revistra britânica The Economist (http://www.economist.com/world/americas/displaystory.cfm?story_id=14370680), onde aborda-se que o Brasil pode ter dificuldade de administrar esse fundo, pois o dinheiro pode ser utilizado de imediato e não investido para o futuro. O The Economist fortalece essa afirmação citando que o Brasil é um país onde os seus gastos correspondem a 36% do seu PIB.

O quarto projeto (5941/09) trata da capitalização da Petrobrás. O projeto visa que o governo repasse para a Petrobrás o equivalente a 5 bilhões de barris de suas reservas (sendo que o restante será explorado por quem ganhar a licitação). Assim, a Petrobrás fica obrigada a pagar o valor do óleo em preços de mercado para a União, podendo ser emitidos títulos públicos, que por sua vez poderão ser utilizados pelo governo para a aquisição de mais ações da empresa.  A capitalização da Petrobrás é algo que está gerando bastante polêmica nos últimos dias. O principal motivo das críticas é o fato de que os investidores que compraram ações através do FGTS não poderão aumentar seu capital. Sendo assim, um investimento que visava maior rentabilidade por parte dos investidores minoritários (principalmente os trabalhadores que utilizaram o seu FGTS), pode sofre um pequeno impacto com essa capitalização.

Críticas ao marco regulatório?

Sim. Há alguns pesquisadores e economistas que criticam o método de partilha por defenderem que a ingerência do governo na exploração do petróleo poder causar ineficiência no mercado. As decisões poderiam ser tomadas visando objetivos políticos e não características mercadológicas. Talvez a angústia da oposição esteja em modificar um regime que está dando certo nos últimos anos.

Minha opinião é favorável ao regime de partilha proposto pelo governo. Essa é uma riqueza que pertence ao povo brasileiro e tem que ser gerenciada e honrada da melhor maneira, e não simplesmente ser entregue para empresas estrangeiras. É importante destacar também que no regime de partilha a Petrobrás terá participação direta na exploração de cada poço (até 30%), o que significa que o governo não necessita (obrigatoriamente) entregar determinados dados estratégico em relação ao pré-sal para as demais empresas.

Ao povo brasileiro, cabe acompanhar de perto e com atenção como uma de nossas maiores riquezas está sendo explorada e administrada, principalmente em relação ao fundo social (projeto: 5940/09), que irá beneficiar diretamente a sociedade e consequentemente o desenvolvimento social do país.





Telefone Móvel X Internet – Um comparativo com a África

31 08 2009

Eu estava vasculhando alguns dados de pesquisas no portal do Banco Mundial (www.worldbank.com) sobre a influência das tecnologias de acesso (Internet e Telefonia Móvel) na África. Resolvi então fazer um comparativo da África com o Brasil, Índia e China, além dos Estados Unidos. O que me influenciou a fazer essa pesquisa são as importantes expansões que estão acontecendo, no momento, nas redes de telecomunicações presentes no território africano.

Eu gerei os gráficos abaixo com dados fornecidos pelo Banco Mundial (Ano: 2007). O primeiro gráfico mostra a quantidade de assinaturas de telefónes móveis e Internet (em relação a cada 100 habitantes):

Quantidade_cel

Já o Gráfico abaixo mostra o preço cobrado (em Dólar americano) cobrado por esses serviços:

preço

Nota: A quantidade de assinatura de Internet nos Estados Unidos está em branco pois os dados não estavam disponíveis.

Em relação à África, o cenário é bastante diversificado. De um lado encontramos a África do Sul, bastante desenvolvida tanto no contexto tecnológico como também no âmbito socio-econômico. Por esta razão é o país sede da próxima Copa do Mundo, além também de está entre os países com maior número de assinatura de serviços de telefone móvel e Internet.

Por outro lado, temos os países menos desenvolvidos na África, os quais apresentam uma situação oposta. A Angola, a Nigéria e a Tanzânia apresentam um valor extremamente inferior em relação a quantidade de assinaturas de Internet e de telefones celulares. O único país que se destaca com um boa quantidade de acesso é o Marrocos, mas esse é uma país presente na “África Branca com influência árabe, o qual apresenta um nível de desenvolvimento maior em comparação com a Angola, por exemplo.

O que também me chamou atenção nesses gráficos foi a quantidade de assinaturas de Internet na Índia. Para um país que é um dos maiores exportadores de tecnologia, eu achei esse valor relativamente baixo. Porém, é notório que a Índia é um país extremamente populoso e que grande parte de seus habitantes vivem em condições precárias, sem acesso a celulares ou Internet. Mas mesmo assim, a Índia é atualmente um dos maiores polos tecnológicos do mundo, onde as grandes corporações mundiais encontram um ambiente de baixo custo para a implementação de parte de suas operações.

Olhando esses gráficos de uma forma mais abrangente, é possível destacar uma situação comum e incontestável entre todos os países: a quantidade de assinaturas de serviços de Internet é muito inferior em relação ao número de assinaturas de serviços de telefonia móvel. Talvez com a expansão das redes 3G e com a concepção da LTE (Long Term Evolution), o número de acesso à Internet aumente, uma vez que essas tecnologias disponibilizam serviços de acesso à Internet através da infra-estrutura das redes de telecom (podendo diminuir a quantidade de assinaturas exclusivas de Internet).

Eu acredito que estamos em um momento de transição entre as assinaturas de serviços de Internet e telefonia móvel. É esperado que as novas tecnologias de telecomunicações forneçam serviços de dados com ótima capacidade. Assim, poderá haver a consolidação de serviços de Internet com os serviços de telefonia móvel, o que poderá ser por um lado um grande salto de inclusão.