Inacreditável! No coração de São Paulo, uma das maiores cidades do mundo, é possível encontrar diariamente espaços que nos transmitem uma sensação de estar imerso no passado, de ter voltado no tempo em algumas décadas, talvez, alguns séculos – esses lugares são as feiras livres, presentes em muitas cidades do mundo.
As Feiras Livres são fenômenos econômicos e sociais antigos, que já eram conhecidos até mesmo na época do império romano, embora tenham manifestado força logo após a sua queda. Muito provavelmente surgiram a partir da necessidade das pessoas de se reunirem em um lugar pré-determinado para a realização de venda e troca de produtos. Esse fenômeno cresceu, expandiu-se geograficamente e tornou-se contemporâneo.
Ainda hoje, elas têm um papel fundamental no abastecimento de frutas e verduras em grandes cidades. Embora as principais redes de supermercados também operem com a seção de hortifruti, nada melhor do que visitar uma feira livre para adquirir determinados produtos. Se você for preparar um prato especial, não perca tempo, vá até uma próxima a sua casa para escolher os seus ingredientes. Sinta os cheiros das verduras, legumes e frutas; transmita esse baile aromático para a sua preparação, e extraordinário será o resultado.
A feira é sem dúvida um espaço pitoresco – luzes, cores, aromas e sons se misturam de maneira única. As cores das diversas frutas e verduras trazem uma sensação de beleza e alegria. A luz do sol que penetra pelos toldos das barracas permite uma iluminação incrível. Às vezes, entre uma barraca e outra, um raio de sol invade o cenário de forma direta, permitindo assim um contraste essencial entre luz e sombra.
Os cheiros se misturam de uma forma inusitada, transmitindo a sensação de que as frutas e verduras brigam para conquistar o seu olfato. Há igualmente outro confronto, interessante e pacífico, que merece ser destacado: dessa vez entre os próprios feirantes, que duelam entre si exaltando que seus produtos são os melhores e os mais baratos.
Há também os vendedores que contam piadas. Outros que são amigos dos seus clientes. Têm aqueles que oferecem degustação de seus produtos para fisgar a clientela. O perfil dos frequentadores é o mais diverso possível. Senhoras, senhores, senhoritas e rapazes. Mães e filhos. Famílias completas. Pessoas com poder aquisitivo alto e os menos favorecidos frequentam a mesma feira – talvez por aproximidade das suas residências. As feiras livres talvez sejam um dos lugares com o público mais diverso por metro quadrado.
Enquanto visitava esse “evento cultural” perto de minha casa esse fim de semana, relembrei do meu tempo de criança, quando costumava ir à feira com a minha avó. Notei que a sua estrutura permanece intacta, um espaço totalmente desconectado, mesmo estando envolto por um ambiente repleto de tecnologia como é a cidade de São Paulo.
Nas feiras livres não há quase nenhum desenvolvimento tecnológico desde as últimas décadas, talvez uma balança eletrônica e só. Não há sistemas de automação, os registros de vendas e estoques são feitos em caderninhos dos próprios feirantes. Muitas vezes, não há nem mesmo um terminal eletrônico de cartão de crédito. As suas aparências remontam alguns séculos atrás, e por isso comecei esse post dizendo que são espaços onde ainda hoje, mesmo com todas as nossas vidas imersas em tecnologias cada vez mais ferozes, nos permitem sentir a essência da vida – o aperto de mão, a troca de olhares, a exaltação de todos os nossos sentidos.
É importante destacar que a feira livre é ainda um dos poucos espaços totalmente offline na atualidade. Se é bom ou ruim, eu não sei responder. Eu só sei que é diferente, um lugar apaixonante. Mas confesso que fico curioso ao imaginar como seriam, se os feirantes usassem Twitter……
Abaixo um slideshow com as fotos que eu tirei esse fim de semana em uma feira livre de São Paulo: