Torta Crumble de Frutas Vermelhas

12 07 2010

Crumble é uma sobremesa muito comum na América do Norte, e mesmo que muitos relatos afirmem que a sua origem é britânica, foi nos Estados Unidos que explodiu como um prato da alta gastronomia, tornando-se o doce #1 de muitos restaurantes do país.

O seu preparo é extremamente fácil e envolve a simples combinação de uma compota de frutas (da estação, por exemplo) com uma cobertura crocante, feita com gordura (geralmente manteiga), açúcar e farinha de trigo (pode-se utilizar também farinha de amêndoas, nozes, avelãs), o que harmoniosamente conduz a uma mescla de texturas ao seu sabor. Geralmente é servida ainda quente com sorvete ou nata.

Quando eu preparei essa torta crumble de frutas vermelhas, optei por fazer uma primeira base de  massa patê  sucrée (massa doce  muito utilizada na gastronomia francesa), uma segunda camada de compota de frutas vermelhas (morango, amora e framboesa) e por cima o crumble para dar a consistência crocante ao prato. Segue a receita:

Pate Sucrée

Ingredientes

  • 250g de Farinha de Trigo
  • 125g de Manteiga
  • 125g de Açúcar (preferencialmente o de confeiteiro)
  • 50g de ovos
  • 1 pitada de sal
  • 1 colher de café de essência de baunilha

Modo de preparo

  • Misture, com as pontas dos dedos, a farinha, o sal, o açúcar e a manteiga, até formar uma farofa bem solta.
  • Junte os ovos e a baunilha. Mexa até que a massa não grude mais nos dedos.
  • Leve a geladeira e deixe descansar por 15 minutos.
  • Abra a massa diretamente na fôrma que for utilizada.
  • Leve novamente a geladeira e deixe até gelar bem (mais ou menos 20 minutos).

Crumble

Ingredientes

  • 80g de manteiga
  • 120g de açúcar
  • 160g de farinha

Modo de preparo

  • Com as pontas dos dedos, misture a manteiga, o açúcar e a farinha, até formar uma farofa.
  • Adicione na fôrma, sobre o patê sucrée, a compota de frutas.
  • Sobre a compota de frutas, adicione o crumble (a farofa que acabamos de criar), espalhando com as pontas dos dedos.
  • Leve ao forno pré-aquecido em aproximadamente 220C, até que o crumble esteja levemente dourado.




Chateaubriand ao molho de champignon

5 07 2010

Há muito tempo atrás, por volta de 1820, surgiu um magnífico prato da gastronomia francesa. Montmireil, chef particular do Visconde François-René de Chateaubriand, criou uma deliciosa refeição composta de um corte bem grosso de filé de carne bovina e um molho preparado à base de redução de vinho branco. Posteriormente, o próprio cozinheiro nomeou-a com o nome do seu nobre patrão.

Na atualidade, os melhores restaurantes e chefs utilizam o filé Mignon para preparar o Chateaubriand, afinal é a carne bovina de maior qualidade, com maciez e suculência inigualáveis, embora haja alguns relatos que a alcatra fosse a carne utilizada na receita original. Mas a essência, o verdadeiro charme do prato, é o seu tipo de corte, que deve ser bem espesso, com cada pedaço pesando em torno de 400g, enquanto o famoso medalhão pesa em média 100g.

O Chateaubriand é uma preparação fácil, que envolve os simples passos de selar o filé e depois fritá-lo em gordura rasa (manteiga clarificada ou azeite de oliva), o que resulta em uma carne com laterais bem coradas e com o seu centro suculento e tenro. Se preferir a carne muito bem passada, o jeito mais fácil é assá-la em um forno pré-aquecido com temperatura moderada.

Esse tipo de carne, robusta e atraente aos olhos e ao paladar, vai bem com uma quantidade infinita de acompanhamentos, e permite que o gastrônomo possa explorar a sua criatividade de diversas formas, buscando sempre a combinação perfeita para um prato de tão alto nível. Nessa preparação, eu servi o Chateaubriand com molho de Champignon; batatas assadas com recheio de ricota e  queijo branco como acompanhamento. Crocantes, elas exploraram um excelente contraste com a branda textura do filé!

Ingredientes

  • 1 peça de Filé Mignon
  • 100g de Champignon frescos
  • 1 colher de manteiga clarificada
  • 1 dente de alho picado
  • 2 colheres de sopa de requeijão
  • 100g de creme de leite
  • Sal Q.B
  • Pimenta Q.B

Modo de prepapro

  • Corte o corpo do filé migon em pedaços com espessuras de aproximadamente 3-4 dedos (400g aprox). obs: o corte pode ser um pouco menor também, mas esse é o tamanho tradicional.
  • Tempere os cortes de chateaubriand apenas com sal e pimenta.
  • Aqueça, em fogo alto, uma frigideira com um pouco de manteiga clarificada ou azeite de oliva. Sele os pedaços de carne e frite-os em um fogo mais baixo.
  • Em outra frigideira, coloque um pouco de manteiga e doure o alho. Acrescente o champignon e frite-os rapidamente.
  • Acrescente o requeijão e o creme de leite. Desligue o fogo e mexa bem. Acerte o sal e a pimenta.
  • Sirva o Chateaubriand com o molho de champigon e as batatas assadas com o recheio desejado.





Cheesecake New York – Receita Original

21 06 2010

Foi durante a minha primeira viagem aos Estados Unidos que eu apreciei o verdadeiro Cheesecake, bem no seu estilo “New York”. Até então, eu só havia experimentado esses que são vendidos em cafés e restaurantes em São Paulo, que na verdade, não passam de um bolo de ricota, sem textura, sem cremosidade, sem aroma.

É muito difícil encontrar um lugar que venda um realmente gostoso no Brasil. O verdadeiro cheesecake, apesar de suas variedades, tem como principais características um recheio bem macio e cremoso, com um leve gosto de cream cheese em harmonia com baunilha. A cobertura de morango também traz um contraste perfeito, tanto na aparência como no sabor.

Falando agora um pouco sobre a história do cheesecake, é interessante que hoje em dia, a sua imagem está ligada diretamente como uma sobremesa tipicamente americana. Ok, isso não deixa de ser verdade, afinal, é um dos pratos mais consumidos no país. Entretanto, a sua origem não tem nada a ver com a Big Apple. Muito pelo contrário, há relatos que a primeira versão do bolo surgiu na Grécia antiga, onde foi um alimento bastante popular.

Somente depois da conquista do território grego pelo Império Romano que ficou conhecido no resto do continente europeu, chegando aos Estados Unidos muito tempo depois.  Nesse site é possível encontrar mais informações sobre a história do cheesecake. Agora chega de blá blá blá e vamos para a preparação.

Eu confesso que foi necessário fazer pelo menos 6 receitas para alcançar o resultado desejado – recheio macio e cremoso, assim como o prato do Cheesecake Factory e do Junior’s. Aqui eu compartilho a minha versão final da receita do cheesecake perfeito :)

Massa Sucrée

Ingredientes

  • 250g de Farinha de Trigo
  • 125g de Manteiga
  • 125g Açúcar (confeiteiro, preferencialmente)
  • 50g de Ovos
  • 1g de Sal
  • 2 colheres de café de essência de Baunilha (pode colocar um pouco de Mapple Syrup, se quiser).

Modo de preparo

  • Com as pontas dos dedos, misture bem a farinha, o açúcar e a manteiga, até formar uma “farofa”.
  • Adicione os ovos, o sal, a essência de baunilha e misture bem.
  • Forme uma bola de massa e proteja com filme PVC. Deixe-a descansar um pouco na geladeira.
  • Abra a massa com um rolo e forre o fundo de uma fôrma. A massa deve preencher somente o fundo, sem laterais.\
  • Leve ao forno pré-aquecido a 180 C, até dourar levemente. Reserve.

Recheio

Ingredientes

  • 450g de  Cream cheese
  • 5 ovos
  • 200g de açúcar
  • 40g de farinha de trigo
  • 200 ml de leite
  • 400g de sour cream (creme azedo – para essa preparação, apenas misture o creme de leite com um pouco de limão e deixe descansar na geladeira).
  • 2 colheres de café de essência de baunilha

Modo de preparo

  • Misture bem o cream cheese e os ovos. Eu aconselho a bater o cream cheese sozinho, para formar uma pasta, e somente depois adicionar os ovos. Se for necessário, use a batedeira.
  • Acrescente o açúcar e a farinha.
  • Adicione o leite, o creme azedo (creme de leite) e a essência de baunilha.
  • Coloque o recheio sobre a massa sucré já pré-assada.
  • Leve ao forno baixo (160C) até a massa ficar firme e  levemente dourada.
  • Deixe esfriar. Reserve.
  • Sirva com uma calda de morango (dica: adicione um pouco de menta e aceto balsâmico, eles ajudam a exaltar o aroma da fruta).




Fettuccine al Pesto & Pinoli

18 06 2010

“Hoje vamos preparar Fettuccine al Pesto”, exclamou o chef Guido para a sua equipe de cozinha.

Pesto! Molho encorpado, com forte aroma de manjericão e alho, textura cremosa, que dá o toque da região de Gênova, Itália, aos pratos de muitos restaurantes ao redor do mundo.

A sua história é um pouco incerta, mas há relatos que a família Ratto, da região noroeste da Itália, deu o nome de “battuto o sapore all’aglio” a um molho que tinha como principais ingredientes: manjericão, alho, pinoli,  queijo parmesão e percorino; todos amassados em um pilão com um pouco de manteiga e azeite de oliva. Posteriormente, não se sabe bem como, essa preparação ganhou outros continentes como o nome de Pesto, permanecendo assim até os dias de hoje.

É também muito difícil falar em pesto sem citar o pinoli, responsável pelo toque sutil ao paladar de quem aprecia a receita original do molho. O pinoli é um pequeno pinhão extraído do pinheiro-mano (Pinus pinea), nativo da região do Mediterrâneo e difícil de ser cultivado em outras localidades. Por esse motivo, é muito utilizado na gastronomia italiana e árabe (onde é chamado de snoubar), e apresenta um preço elevadíssimo em outros países. No Brasil, a situação não é muito diferente, e por isso, muitos restaurantes modificam as receitas que levam o  pinoli – substituindo-o por algum outro grão, como nozes ou até mesmo castanha-do-brasil.

Vamos então ao preparo da receita. O chef Guido já está com as suas sobrancelhas levantadas e a cara vermelha de preocupação. Afinal, o restaurante abre em 30 minutos. Precisamos ser rápidos.

Ingredientes

  • 1 xícara de folhas de manjericão
  • 2 dente de alho em brunoise
  • 10g de pinoli
  • 1/2 xícara de azeite
  • 60g de queijo parmesão ralado
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • sal a gosto

Modo de preparo

  • Em um pilão (pode ser utilizado também um processador de alimentos) esmague o manjericão junto com o alho, o pinoli e o azeite.
  • Acrescente a manteiga e o queijo parmesão, misture bem.
  • Acerte o sal e a pimenta.
  • Sirva com a massa Fettuccine. O molho pesto não deve ser aquecido, mas pode ser misturado com um pouco da água quente utilizada para cozinhar a massa.




Risotto al Funghi

28 05 2010

“O prato do dia é Risotto al Funghi” – gritou o chef Guido em seu restaurante em Milão.

Ok, então vamos trabalhar para atender com qualidade o pedido de nosso querido Guido. Mas antes de começar a preparação, vou falar um pouco sobre o ingrediente principal do risotto: o arroz.

No Brasil, o mais utilizado é o arroz italiano arborio (ou arbóreo), que apresenta uma quantidade maior de amido, conferindo assim uma maior cremosidade, além do poder de absorver os aromáticos dos condimentos. Então, nada de preparar risotto com arroz Tio João!

Outra dica importante é em relação a vida útil do risotto, que deve ser servido logo que estiver pronto para que não se perca a qualidade principal do prato: cremosidade e suavidade. Se você demorar muito tempo para levar o risotto à mesa, você vai acabar servindo para seus convidados uma “papa de presídio”.

O chef Guido já está nervoso. O restaurante vai abrir em uma hora. Um convidado especial está vindo nos visitar. Então vamos lá: separar os ingredientes!

Ingredientes

  • 400g de Arroz Arborio.
  • 60g de Funghi Secchi Chileno ou Porcini. (Funghi secchi é a propriedade do congumelo desidratado, que pode ser do tipo chileno ou o porcini - italiano. Não confuda e não pense que Funghi  Secchi é um tipo específico de cogumelo, hein :P)
  • 3 colheres de sopa de manteiga.
  • 1 1/4 litro de fundo (caldo) de carne.
  • 1 cebola média cortada em brunoise.
  • 1/2 xícara de vinho branco de boa qualidade.
  • 2 colheres de parmesão ralado.
  • Toque especial (opcional): 1 colher de chá de uísque.

Modo de preparo

  • Lave a quantidade correta de funghi e coloque de molho em uma xícara com um pouco de água e o uísque.
  • Esquente o fundo de carne em uma panela.
  • Em uma outra panela, coloque 1 colher de manteiga, leve ao fogo e frite rapidamente a cebola.
  • Junte o funghi (escorrido, sem água) e o arroz arborio. Refogue por alguns minutos.
  • Junte o vinho branco (deglace) e deixe-o evaporar em fogo alto.
  • Adicione aos pouco o fundo de carne, mexendo constantemente. Esse processo deve levar cerca de 16 minutos (dica: o fundo de carne deve estar sempre quente quando for adicionado).
  • O arroz arborio deve estar com a textura “al dente”. Para descobrir o ponto certo do arroz, a melhor maneira é pressioná-lo com as pontas dos dedos. Quando o arroz estiver cozido, mas com um pequeno fio branco no centro, o arroz está com a textura desejada.
  • Desligue o fogo, acrescente as outras 2 colheres de manteiga e misture bem. Finalize com parmesão se desejar.
  • Sirva LOGO! O chef Guido está ansioso para servir esse prato para seu convidado ilustre.

Crédito da Foto: Diogo Cortiz





Petit Gateau de Chocolate Branco e Limão Siciliano

24 05 2010

Uma combinação perfeita. Chocolate Branco em contraste com o cítrico do Limão Siciliano: foi assim que preparei essa nova receita de petit gateau. Alguns posts atrás, eu compartilhei como preparar um petit gateau de avelã. Nesse post, vamos utilizar a base da receita anterior, mas claro que com algumas pequenas modificações.

Para acompanhar o “bolinho”, eu preparei um gelato de chocolate belga (Callebaut ao Leite). A combinação do chocolate branco, o limão siciliano e o chocolate ao leite ficou bastante harmoniosa. Nos próximos posts eu compartilho algumas dicas para a preparação de um delicioso gelato (tipicamente italiano).

Ingredientes

  • 130g de chocolate branco
  • 90g de manteiga em temperatura ambiente.
  • 3 ovos médios
  • 40g de açúcar
  • 80g de farinha de trigo peneirada
  • Raspas da casca de um limão siciliano
  • Suco de 1 limão siciliano
  • Sorvete, Gelato (sabor a definir)

Modo de preparo

  • Corte o chocolate branco em pequenos pedaços e derreta-os em banho-maria. Retire do fogo e acrescente a manteiga. Reserve.
  • Misture os ovos com o açúcar e mexa bem. Misture com o chocolate derretido e a manteiga.
  • Junte a farinha peneirada e mexa bem. Adicione o suco e as cascas do limão. Acrescente um pouco mais de farinha se a mistura estiver muito líquida (aqui o uso da sensibilidade do chef torna-se fundamental :) ).
  • Coloque em forminhas untadas com manteiga e farinha.
  • Deixe descansar na geladeira as forminhas por aproximadamente 30 minutos (mas tem que deixar mesmo).
  • Asse em forno pré-aquecido a 200-220ºC por aproximadamente 8-10 minutos. Desenforme ainda quente.
  • Sirva com 1 bola do seu sorvete preferido – como dito anterior, no meu caso eu servi com um Gelato de Chocolate Belga Callebaut :)






Petit Gâteau de avelã

17 05 2010

Quem não gosta de Petit Gateau? Afinal, essa é a sobremesa que mais se popularizou no Brasil nos últimos anos. Algum tempo atrás, você só a encontrava em restaurantes alto-padrão. Hoje já pode ser degustada em diversas sorveterias, docerias e confeitarias, muitas vezes com excelente qualidade, outras vezes deixando a desejar .
Mas qual será a origem desse bolinho que parece que saiu do forno antes de estar pronto? pesquisei um pouco e há algumas discrepâncias em relação ao local d0 seu surgimento. Algumas fontes afirmam que foi na França, outras que foi nos Estados Unidos. Pelo menos ambas são unânimes ao afirmar que provavelmente essa sobremesa foi criada ao acaso, por um erro e posteriormente um improviso de algum chef distraído, que cozinhou o bolo em uma temperatura muito elevada por um curto espaço de tempo.

O que importa é que esse improviso, erro, criação ou seja lá o que for, caiu mesmo no gosto da população mundial. Não importa a cidade que você estiver no mundo, sempre haverá algum estabelecimento servindo o tal Petit Gateau. Claro que o nome pode sofrer algumas variações, já que petit gateau em francês significa “pequeno bolo” algo muito genérico para um produto específico, e por essa razão acredita-se que o nome Petit Gateau disseminou-se em um primeiro instante na América do Norte. Na frança, você pode encontrar essa sobremesa com diversos nomes, como “Moelleux au Chocolat”, “Mi-Cui au Chocolat” ou até mesmo “Jusque Cuit”.
Agora chega de blá, blá, blá e vamos botar a mão na massa. Abaixo eu compartilho uma receita de Petit Gateau de chocolate, mas com um diferencial, um toque de avelã.

Ingredientes

  • 95g de chocolate meio-amargo (preferencialmente, Callebaut :P )
  • 90g de manteiga em temperatura ambiente.
  • 3 ovos médios
  • 65g de açúcar
  • 40g de farinha de trigo peneirada
  • 100g de gianduia (creme de avelã com chocolate, conhecido mundialmente como Nutella, mas pode ser outra marca também)
  • Cacau em pó peneirado Q.B
  • Sorvete, Gelato (sabor a definir)

Modo de preparo

  • Faça 6 pequenas bolinhas de aproximadamente 2cm com a Gianduia. Coloque no freezer e deixe-as congelar.
  • Corte o chocolate em pequenos pedaços e derreta-os em banho-maria. Retire do fogo e acrescente a manteiga. Reserve.
  • Misture os ovos com o açúcar e mexa bem. Misture com o chocolate derretido e a manteiga.
  • Junte a farinha peneirada e mexa bem.
  • Coloque em forminhas untadas com manteiga, farinha e um pouco de cacau em pó.
  • Adicione uma bolinha de gianduia em cada forminha. Mergulhe as bolinhas até que estejam submersas, mais ou menos no centro. O objetivo é que a gianduia derreta juntamente com a calda de chocolate, danto um sutil toque de avelãs ao creme do petit gateau.
  • Deixe descansar na geladeira as forminhas por aproximadamente 30 minutos (mas tem que deixar mesmo).
  • Asse em forno pré-aquecido a 200-220ºC por aproximadamente 8-10 minutos. Desenforme ainda quente.
  • Sirva com 1 bola do seu sorvete preferido.






Gnocchi Pomodori

3 05 2010

Ciao!

Nhoque, Gnocchi, nhoco, muitas são as palavras para nomear essa fantástica maravilha do mundo gastronômico. Sem dúvidas uma das minhas comidas prediletas. Ainda me recordo do primeiro prato que apreciei em minha viagem para a Itália. Em uma daquelas vielas pitorescas de Roma, um aconchegante restaurante, um nhoque ao pesto e um vinho da casa! Lembrança que permanece ainda viva em minhas memórias.

Eu aprecio muito a gastronomia italiana. Adoro massas e pães, troco facilmente um churrasco por um belo prato de macarroni. Acredito que isso já está no sangue, afinal sou descendente de italianos (e espanhois também, mas eu odeio paella). É interessante também citar toda a magia que envolve um simples alimento como o nhoque, chamado até mesmo de prato da fortuna em alguns países (inlcusive no Brasil).

Nesse fim de semana eu dediquei um certo tempo para preparar um Gnocchi ao molho Pomodori (aquele com pedacinhos de tomate concassé). A tarefa não poderia ser diferente, acordei cedo e fui à feira escolher batatas e tomates para a preparação do prato. Aprendi que a batata Asterix, com cor avermelhada, é uma das melhores para preparar o nhoque por não absorver tanta água. O resultado foi esse prato que vocês podem ver na foto desse post! Compartilho também a receita do nhoque e do molho pomodori.

Gnocchi de Batata

Ingredientes

  • 1Kg de Batata (de preferência Asterix)
  • 100g de Semolina Grano Durum (pode ser substituída por farinha de trigo tipo I)
  • 100g de Farinha de Trigo
  • 2 gemas de ovos médios
  • 100g de queijo parmesão ralado (opcional)
  • Sal Q.B
  • Pimenta Q.B

Modo de preparo

  • Cozinhe as batatas com casca em uma panela com água e sal. (Eu não recomendo utilizar panela de pressão, pois a pressão pode estourar a casca e fazer com que a batata absorva água).
  • Descasque as batatas e passe-as pelo espremedor. Reserve para esfriar.
  • Adicione aos poucos as duas gemas, a semolina, a farinha, o parmessão, a pimenta e o sal desejado. Mescle os ingredientes com as pontas dos dedos (não é necessário sovar a massa).
  • Deixe descansar por aproximadamente 20 minutos. Forme tiras longas e corte em pedaçõs pequenos. Você também pode moldar cada pedaço com um garfo, pressionando-o sobre a massa.
  • Cozinhe todo o nhoque em uma panela grande com água e um pouco de sal.

Para acompanhar o gnocchi, eu preparei o molho Pomodori, que leva como base o molho ao sugo. Sendo assim, primeiro eu compartilho a receita do molho ao sugo, e logo em seguida a do molho Pomodori.


Molho ao sugo

Ingredientes

  • 3 kg de tomates débora bem maduros
  • 2 cebolas médias cortadas em brunoise.
  • 1 cenoura cortada em brunoise.
  • 4 talos de salsão cortados em brunoise.
  • 80 ml de vinho tinto seco.
  • 1 colher de extrato de tomate (se necessário)
  • Sal Q.B
  • Pimenta Q.B
  • Manjericão Q.B

Modo de preparo

  • Em uma panela grande, corte os tomates ao meio, acrescente o mirepoix (cebola, cenoura e salsão), o extrato de tomate (opcional), um pouco de água e leve ao fogo até o tomate murchar.
  • Bata a mistura em um liquidificador e coe.
  • Retorne a mistura para a panela e acrescente o vinho tinto seco.
  • Adicione o manjericão, o sal, a pimenta e outras ervas que desejar.
  • Deixe apurar por aproximadamente 20 minutos. Reserve.

Molho Pomodori

Ingredientes

  • 30 ml de óleo de milhou ou de soja (ou até mesmo azeite).
  • 2 dentes de alho.
  • 1 kg de tomate débora concassé (sem pele e sem semente, cortados em cubos)
  • 1 litro de molho ao sugo (pode adicionar uma quantidade maior ou menor, dependendo do resultado desejado).
  • Oregano Q.B
  • Manjericão Q.B
  • Sal Q.B.
  • Pimenta Q.B.

Modo de preparo

  • Frite o alho no óleo, acrescente o tomante concassé, o manjericão e o orégano.
  • Deixe refogar por alguns minutos e acrescente o molho ao sugo.
  • Cozinhe por mais alguns minutos. Os pedaços de tomate não devem desmanchar por completo.
  • Sirva com o gnocchi quente. Adicione queijo parmesão se desejar.
  • Buon appetito!




Picanha ao molho champignon

22 04 2010

Feriado no meio da semana, que maravilha. Uma picanha na geladeira e um dia ensolarado. Que tal um churrasco? Nada disso. O prato do dia foi picanha ao molho champignon com cenoura salteada de acompanhamento. Segue a receita:

Ingredientes

  • 500g de picanha cortada em bifes médios.
  • 4 colheres de sopa de requeijão.
  • 4 colheres de sopa de creme de leite.
  • 100g de champignon.
  • 1 pequeno cálice de conhaque (ou uísque) para flambar.
  • 3 cenouras salteadas.
  • Sal Q.B.
  • Pimenta Q.B.

Modo de preparo

  • Tempere a picanha somente com sal e pimenta.
  • Em uma frigideira, frite a picanha com um pouco de azeite de oliva até o ponto desejado. Reserve.
  • Na mesma frigideira, acrescente o champignon (se for champignon em conserva, pode ser adicionado um pouco da água para deglaçar) e cozinhe por alguns minutos.
  • Acrescente o requeijão e cozinhe por mais alguns minutos.
  • Flambe com o conhaque ou o uísque.
  • Acrescente o creme de leite e desligue o fogo.
  • Acerte o sal e a pimenta.
  • Sirva a picanha com o molho e cenouras salteadas como acompanhamento.




Em busca da trufa perfeita…

11 04 2010

A primeira vez que eu experimentei uma trufa da Godiva, fiquei pensando em como eles conseguiam obter uma textura e cremosidade tão agradável ao paladar. Eu pensava, erradamente, que tudo era uma questão de equipamentos e produtos químicos utilizado na composição. Eu estava errado, e descobri isso em uma viajem para a Suíça, mais especificamente para Genebra, durante  um evento de pesquisa sobre o LHC.

Genebra é uma cidade na divisa com a França e é tradicionalmente conhecida por sua grande quantidade de casas de chocolates e cafés que produzem diariamente uma infinidade de tipos de trufas e bombons, variando o sabor e o tipo, que são servidos fresquinhos aos seus consumidores. Em muitas delas, há uma parede de vidro que permite ao consumidor enxergar o lugar de preparo das trufas, uma perfeita visão para a verdadeira fantástica fábrica de chocolate. Eu notei, que não haviam muitos aparelhos no local de produção, e tive a certeza que o importante para essas casas era mesmo o trabalho artesanal. Nessa ocasião, é o ser humano que dá o toque final a essa maravilha gastronômica, uma situação bem interessante, uma vez que as tecnologias estão presentes em quase todas as tarefas de nossas vidas.

Ao voltar para o Brasil, eu busquei alternativas para aprender mais sobre chocolate e o preparo de trufas. Eu realizei treinamentos em alguns centros que se dizem especializados em gastronomia, onde  foi ensinado só o básico, no estilo: misture o creme de leite, o chocolate e a manteiga. Mas eu queria mais do que isso, a essa altura eu já desejava entender os segredos das trufas de Genebra. Foi então que eu comprei o livro “Chocolates & Confections: formula, theory, and techniques for the artisian confectioner” e lá encontrei a teoria que eu precisava. Infelizmente esse é um livro importado com um preço “salgado”, mas vale a pena por ser uma das referências no assunto.

Na semana passada, em meio ao espírito de páscoa, com propagandas de chocolate pra lá e pra cá, eu decidi preparar trufas com os chocolates belgas Callebaut e Belcolade (são vendidos em pacotes de 2,5Kg em algumas importadoras em São Paulo). É importante citar que é praticamente um consenso que os melhores chocolates do mundo são os belgas, os suíços e os franceses, não porque os territórios dessas nações tenham os melhores “grand crus”, mas devido ao fato das marcas presentes nesses países serem donas das melhores plantações de cacau ao redor do mundo (ver o post para ter mais informações sobre o chocolate).

Fiquei bastante contente com o resultado alcançado na preparação das trufas, a textura firme em contraste com a cremosidade ao ser degustada me fez lembrar das casas de chocolates da Suíça. Eu também recebi muitos elogios de muitas pessoas que experimentaram as trufas e acredito importante compartilhar os conhecimentos adquiridos sobre trufas:

Ganache

Antes de qualquer coisa, ganache não é a simples mistura de creme de leite com chocolate, como muitos pensam. O ganache é a base da trufa e deve ser preparada com o máximo de atenção. O ganache nada mais é do que uma emulsão de gordura em água e para o seu preparo não é necessária uma extensa experiência nem tão pouco grandes habilidades, já que requer apenas alguns ingredientes e um processo simples de produção. Basta apenas ter atenção e um bom sentimento no coração!

Fórmula do ganache perfeito

Abaixo eu descrevo os principais ingredientes que estão presentes no ganache e também a fórmula para os cálculos das quantidades:

Creme de leite

O creme de leite é o ingrediente fundamental para a preparação do ganache (praticamente não existem exceções de ganache  sem creme de leite, embora possa haver variações). É a partir do creme de leite que se calcula a quantidade dos outros ingredientes presentes no ganache.

Glucose

A glucose é utilizada no ganache para diminuir o nível da atividade da água, ajudar a estabilizar a emulsão e a manter uma textura cremosa, evitando assim a recristalização do açúcar. De maneira tradicional, pode-se adicionar de 25% a 30% de glucose em comparação com o peso da quantidade de creme de leite utilizado. Essa formula ajuda a prover uma excelente textura e estabilidade para o produto final.

Líquidos aromatizantes

A quantidade de líquidos aromatizantes que deve ser adicionada ao ganache varia muito do tipo escolhido. Por exemplo, é comum encontrar trufas que têm o aroma de conhaque, outras de champagne (muito comum na Suíça, principalmente preparada com chocolate branco) e assim por diante. Mas como guideline, pode-se assumir 20% da quantidade de líquido aromatizante em relação com a quantidade de creme de leite.

Manteiga

A manteiga é um ingrediente opcional no ganache, mas é frequentemente utilizado, especialmente quando líquidos aromatizantes são usados. A teoria de adicionar a manteiga é simples:  vimos que o ganache nada mais é do que uma emulsão de gordura em água, certo? Quando adicionamos os líquidos aromatizantes (conhaque, por exemplo), o ganache será composto por uma quantidade muito maior de água, o que poderá ocasionar na perda de qualidade em textura. Para compensar a quantidade gordura necessária no ganache, utiliza-se geralmente a manteiga. Pode-se calcular 50% de manteiga em relação à quantidade de líquido aromatizante. Por exemplo, se utilizarmos 200g de rum no ganache, 100g de manteiga deve ser adicionada à mistura.

Adicionalmente, a manteiga também pode ser utilizada para compensar quando utilizamos cremes de leite com quantidade menor de gordura.

Chocolate

O que seria de um ganache sem chocolate? Creio que nada! É importante que além de determinar o sabor do ganache, o chocolate também é um fator chave na determinação da consistência e da textura do produto final. Para calcular a quantidade de chocolate, deve-se levar em consideração a quantidade total de liquifiers (creme de leite + líquidos aromatizantes) presente no ganache. Tipicamente, quando se utiliza chocolate dark (meio-amargo e amargo), a proporção de chocolate é de 2:1 em relação à quantidade de liquifiers. Para chocolate ao leite e chocolate branco, a proporção indicada é de 2,5:1.

Nota: lembre-se que somente o creme de leite e os líquidos aromatizantes são contabilizados como liquifiers, a manteiga não.

É importante destacar que essas recomendações são indicadas como “melhores práticas” na busca de obter bons resultados em relação ao sabor, consistência e textura, mas não são leis. A gastronomia é uma arte, e como toda boa arte,  permite que seus artistas possam fazer novos experimentos e buscar novos resultados.

Com base na teoria dos ingredientes estudados acima, abaixo há uma tabela com os ingredientes e a quantidade para a preparação de um ganache:

  • 250g de creme de leite (fresco)
  • 70g glucose
  • 60g líquido aromatizante (rum, por exemplo)
  • 30g de manteiga
  • 620g de chocolate meio-amargo

Claro que acima há só um cálculo baseado na teoria de quantidade dos ingredientes. Se você quiser, por exemplo, preparar um ganache sem líquidos aromatizantes e com chocolate branco, a teoria compartilhada anteriormente permite que você possa fazer os cálculos da quantidade de cada ingrediente.

Modo de preparo

  • Em uma panela, misture o creme de leite com a glucose, e aqueça até o ponto de fervura.
  • Em outro recipiente, coloque o chocolate já picado (ou em callets). Adicione a mistura do creme de leite ainda quente sobre o chocolate. Espere por aproximadamente 1 minuto.
  • Incorpore a mistura do creme de leite com o chocolate, com pequenos movimentos circulares, do centro para a fora, até a mistura parecer uma “maionese de chocolate” (lembre-se: ganache é uma emulsão de gordura em água).
  • Se houver chocolates que não derreteram, aqueça novamente o ganache. Nota: não aqueça o ganache acima de 34C.
  • Adicione a manteiga ainda com a mistura do ganache quente.
  • Adicione os líquidos aromatizantes, se for utilizado.
  • Coloque o ganache para descansar em uma temperatura de aproximadamente 22C. O ganache deve obter uma textura firme. Esse processo pode levar em torno de 1 hora, dependendo das condições do ambiente.
  • Espalhe o ganache sobre uma superfície de mármore e movimente a mistura com uma espátula até obter um resultado bem firme.
  • Retorne o ganache para o recipiente e ele já está pronto para se transformar em trufas.

Dica: a trufa não deve ser enrolada como um brigadeiro! O nome trufa vem exatamente do fungo trufa, que não tem um formato definido. Cubra a trufa com chocolate ou com cacau em pó.